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É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES. Desenvolvimento urbano, tráfego e mobilidade urbana são os destaques deste espaço. Escreve quinzenalmente, às segundas

Os bons tempos que antecederam a expansão territorial de Vitória

Uma época em que eram poucos carros nas ruas, as pessoas se deslocavam a pé, e o principal meio de transporte para os bairros mais afastados era o bonde

Publicado em 27/09/2021 às 02h00
Viaduto Caramuru
Viaduto Caramuru: passado e presente. Crédito: Vitor Jubini

Ao rever o programa especial da Rádio CBN do dia 8 de setembro – em comemoração aos 470 anos de Vitória (transmissão multimídia) –, do qual tive o prazer de participar como convidado, outras recordações interessantes da nossa Capital me vieram à tona.

Assim, escrevo este texto evocando a velha expressão “Recordar é viver”, por considerá-la aplicável a esta breve olhada no passado para trazer ao leitor mais algumas lembranças da nossa bela Capital. São recordações que não foram comentadas no referido programa e que me remetem às décadas de 1950 e 1960, quando a ocupação de Vitória se limitava basicamente à ilha.

Uma época em que eram poucos carros nas ruas, as pessoas se deslocavam a pé, e o principal meio de transporte para os bairros mais afastados era o bonde. Duas linhas partiam da Praça Costa Pereira: uma, na direção sul, passando pela Vila Rubim e ponto final em Santo Antônio; outra, passando pela Avenida Vitória, Praia do Suá e ponto final na Rua Aleixo Neto, Praia do Canto.

A Cidade Alta – bairro nobre da Capital – reunia as sedes dos Três Poderes, a Biblioteca Pública Estadual, além da Catedral Metropolitana, várias outras igrejas centenárias, o tradicional ginásio São Vicente de Paula e outros edifícios importantes.

Foi nessa região que vivi até 1963 – anos do qual guardo boas lembranças. Eram tempos muito diferentes dos atuais: as crianças e adolescentes se divertiam livremente na rua sem qualquer preocupação dos pais.

Ao lado da Praça da Catedral havia uma grande área livre onde a garotada jogava pelada, peão, ferrinho, soltava pipa e praticava várias outras brincadeiras da época. Os carrinhos de rolimã (feitos artesanalmente) eram a diversão praticada nas várias ladeiras do bairro.

Não havia televisão e a palavra violência não era sequer lembrada.

Bairro predominante institucional e residencial, acessível por várias ladeiras e escadarias, a Cidade Alta, além de permitir rápido acesso a pé à Praça Oito, Praça Costa Pereira, Parque Moscoso, Av. Jerónimo Monteiro, Correios, mercados da Capixaba e da Vila Rubim, etc., reunia em seu entorno pontos de encontro da sociedade como o Café Praça Oito, os bares Pinguin, Sagres e Marrocos, o Magazine Helal e o aristocrático Clube Vitoria.

Tudo funcionava calmamente. Os moradores do Centro em boa parte se conheciam e se cumprimentavam. Bons tempos aqueles!

Agora são 470 anos! Que essa marca seja o ponto de partida para a nossa Capital chegar ao 5º centenário com o seu Centro Histórico revitalizado.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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