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Coronavírus

Não podemos só esperar pelo governo. A sociedade precisa participar

Uma coisa é certa: o Brasil e os brasileiros vão sair desta crise epidemiológica amargando grandes perdas. E o pior, quem mais vai sofrer seus efeitos são justamente os mais pobres

Publicado em 07 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 abr 2020 às 05:00
Luiz Carlos Menezes

Colunista

Luiz Carlos Menezes

Mãos juntas, união
Mãos juntas: solidariedade Crédito: pixabay
Sem querer entrar no mérito da queda de braço entre o presidente Bolsonaro e seus principais desafetos políticos – o governador de São Paulo e os presidentes da Câmara e do Senado –, uma coisa é certa: o Brasil e os brasileiros vão sair desta crise epidemiológica amargando grandes perdas. E o pior, quem mais vai sofrer seus efeitos são justamente os mais pobres: trabalhadores informais, prestadores de serviços autônomos, biscateiros e uma imensa gama de modestos (ex)trabalhadores formais que perderam o emprego.
O leitor chegou a pensar como estão vivendo os trabalhadores informais que dependem do dinheirinho que conseguem ganhar num extenuado dia de trabalho para sobreviver no dia seguinte? E que nestes tempos de isolamento existem milhões de famílias com cinco ou mais pessoas comprimidas em barracos com menos de 20 metros quadrados? E como comprar o mínimo necessário para a higiene da família se falta dinheiro até para a comida? A situação dessa imensa parcela da população é de cortar o coração.
Neste quadro dramático é imperiosa a participação de todos. Não só por parte dos que têm bem mais. É preciso a ajuda de todos; basta ter um pouco mais. Que cada brasileiro vista a camisa da solidariedade.
São inúmeras as formas de ajuda que podem e devem ser praticadas nestes tempos tão difíceis. Vejamos as mais simples, rápidas e eficazes: a) Doações financeiras a asilos de idosos, abrigos de pessoas sem teto, instituições de acolhimento de crianças desguarnecidas e outras no gênero; b) Doações financeiras a pessoa com doença grave e em séria dificuldade financeira devido à crise (muito fácil por transferência eletrônica); c) Manutenção do pagamento a prestadores de serviços individuais que ficaram praticamente sem trabalho devido à crise, tais como diaristas, manicures, massagistas etc. d) Doações de bens ociosos ou de pouco uso a instituições ou pessoas necessitadas; e) Doação de cestas básicas e outras formas de ajuda aos mais vulneráveis.
Num país com uma força de trabalho de 50% da população (105 milhões de pessoas – IBGE/2019) e com 38 milhões de trabalhadores na informalidade, seria da maior importância que os meios de comunicação se engajassem numa campanha de solidariedade nacional para estimular a sociedade a contribuir com estes brasileiros mais vulneráveis. Inclusive, com orientações sobre como as contribuições podem chegar facilmente ao seu destino. As redes sociais, ONGs e outros organismos do terceiro setor podem dar uma importante contribuição.

Luiz Carlos Menezes

É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES. Desenvolvimento urbano, tráfego e mobilidade urbana são os destaques deste espaço. Escreve quinzenalmente, às segundas

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