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Vida urbana

As cidades estão se preparando para a mobilidade elétrica?

É preciso que seus gestores estejam sintonizados com a intensidade desse processo de mudanças para poderem planejar e realizar pelo menos adequações compatíveis com as possibilidades de cada município

Publicado em 30 de Maio de 2022 às 02:00

Públicado em 

30 mai 2022 às 02:00
Luiz Carlos Menezes

Colunista

Luiz Carlos Menezes

9 tendências para o mercado automotivo em 2022
Montadoras vão continur investindo cada vez mais no segmento dos elétricos Crédito: Freepik
No artigo publicado neste espaço em 14 de fevereiro deste ano discorri sobre o rápido avanço da tecnologia e as consequentes mudanças de hábitos da sociedade nestes últimos anos.
No texto de hoje, diante da constatação de que essas mudanças estão se refletindo rapidamente na forma de deslocamento das pessoas nas regiões metropolitanas, achei por bem voltar a defender – e enfatizar – a necessidade de adequação das cidades a essas transformações.
O aumento da consciência ambiental diante das emissões de CO2, juntamente com o agravamento do problema do tráfego, estão levando o setor industrial e a sociedade a se adequarem a essas novas circunstâncias. E isso vem acontecendo muito rapidamente.
Já podemos observar no Brasil um considerável avanço da mobilidade elétrica, porém, sem uma correspondente contrapartida na preparação das cidades para esses novos tempos.
A despeito da crise causada pela pandemia, as vendas de carros elétricos dispararam em 2021 (aumento de 257%, segundo dados da Anfavea), com tendência de continuarem aumentando em 2022.
Nesse contexto, podemos perceber que a necessidade de adequação das cidades a esses novos tempos vai muito além do que tem sido feito até então. As mudanças comportamentais com relação à mobilidade nas regiões metropolitanas envolvem também o aumento da utilização de pequenos veículos elétricos (patinetes, scooters, bikes, etc.), um maior compartilhamento de veículos de aplicativo e outras mudanças na forma de deslocamento.
Há ainda um substancial aumento da chamada “mobilidade ativa” – deslocamento em bicicletas convencionais e de pedestres – uma prática que precisa ser permanentemente estimulada, com mais ciclovias e mais segurança nas vias que atendem a esse público.
Posso afirmar, como estudioso da mobilidade e dos problemas das cidades, que jamais vi mudanças tão rápidas e tão inovadoras como as que estamos presenciando.
Por certo, as cidades e seus gestores não poderão responder na mesma velocidade. Todavia, é preciso que estejam sintonizados com a intensidade desse processo de mudanças para poderem planejar e realizar pelo menos adequações compatíveis com as possibilidades de cada município.
Vale ainda ressaltar que o desafio a ser enfrentado pelas cidades diante dessas transformações, muito embora esteja subordinado às respectivas prioridades e orçamentos, se tornará menos desafiador se os seus Planos Diretores forem revistos e atualizados o quanto antes, prevendo as medidas que precisam ser progressivamente adotadas.

Luiz Carlos Menezes

É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES. Desenvolvimento urbano, tráfego e mobilidade urbana são os destaques deste espaço. Escreve quinzenalmente, às segundas

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