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Oito dados absurdos sobre a educação financeira do brasileiro

Maior instrução financeira contribuiria para evitar escolhas que contribuem para o quadro de endividamento

Publicado em 19/03/2020 às 05h00
Atualizado em 19/03/2020 às 05h01
Manter as finanças protegidas aprende-se desde cedo. Crédito: Pixabay
Manter as finanças protegidas aprende-se desde cedo. Crédito: Pixabay

Diversos indicadores e pesquisas mostram como a falta de conscientização financeira atrapalha a vida dos brasileiros, e isso não tem nada a ver com renda.

O ano de 2020, por exemplo, começou com 61 milhões de brasileiros com o nome negativado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). No Espírito Santo, são cerca de 700 mil capixabas inadimplentes, isto é, cerca de metade da população adulta.

Já segundo o Banco Mundial, apenas 3,64% dos brasileiros economizam para a aposentadoria, um dos índices mais baixos do mundo: a média na América Latina é de 10,6%, enquanto outros países emergentes, como México (20,85%), África do Sul (15,93%) e Rússia (14,56%), apresentam números melhores.

Além disso, apenas 28% dos brasileiros declaram ter poupado algum dinheiro nos últimos 12 meses, o 14º pior índice do mundo.

Esses números não são coincidência: um dos parâmetros de avaliação da educação do Pisa é o alfabetismo financeiro, em que o Brasil ocupou a última posição entre as 17 nações avaliadas em 2015.

Naquele ano, o score médio brasileiro foi de 393, enquanto a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi de 439. Além disso, a nota dos estudantes brasileiros nesse quesito foi 43 pontos pior do que em matemática e leitura.

O índice apontou que muitos estudantes brasileiros não alcançam nem sequer a proficiência nível 1. Isso significa que no máximo conseguem discernir a diferença entre necessidades e desejos e tomar decisões simples sobre os gastos do dia a dia.

Mas mesmo entre quem tem dinheiro guardado no Brasil, a poupança continua como investimento preferido de 9 em cada 10 brasileiros segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Porém, com a queda da Selic, ela deve render menos do que a inflação em 2020, o que significa uma perda no poder de compra.

Ou seja, mesmo entre aqueles que economizam parte do que ganham, o investidor brasileiro médio opta por rentabilidades ruins pela falta de conhecimento ou de buscar profissionais de mercado para ajudá-lo.

Estudo do Ibope mostrou que o comportamento financeiro dos brasileiros com renda maior, acima de cinco salários mínimos, não é melhor do que os dos demais brasileiros. Ou seja, educação financeira não tem relação com ser pobre ou mais rico.

Maior instrução financeira contribuiria para evitar escolhas que contribuem para o quadro de endividamento, como a de utilizar o limite do cheque especial, pagar fatura parcial do cartão de crédito ou emprestar o nome para amigos e parentes.

Mas educação financeira vai muito além de dinheiro e finanças: a literatura mostra que instrução financeira permite melhor convivência familiar, maior resiliência individual, além de possibilitar consumidores conscientes e com hábitos de consumo mais compatíveis com uma economia sustentável. Quem diz o contrário é porque está alheio aos estudos, dados e evidências.

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