O Espírito Santo liderar o ranking de combate ao coronavírus elaborado pela CLP-Liderança Pública não é coincidência. O Estado se destacou na maior parte dos critérios do Índice Estadual de Vulnerabilidades à Covid-19, elaborado pelo Instituto Mercado Popular. O levantamento mapeou a vulnerabilidade à pandemia nos Estados brasileiros a partir de dez indicadores apresentados nos entes federativos, sendo sete do eixo econômico e três relacionados à infraestrutura médica. Em todos eles, o Espírito Santo figurou na metade de cima dos entes federativos.
Os índice obtido é uma classificação relativa a Estados, ou seja, cada um recebeu uma pontuação em relação à média. Um ponto positivo, por exemplo, significa que o Estado está em um desvio padrão acima da média.
Dessa forma, aqueles acima da média nacional possuem índices positivos e os abaixo, índices negativos.
O Espírito Santo ficou em 8° lugar entre os menos vulneráveis, atrás de Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
Vale destacar que, ao final de julho, o ES figura entre os cinco do país com maior tendência de queda no número de mortes, segundo o consórcio de veículos de imprensa.
EIXO ECONÔMICO
O Índice de Desenvolvimento Humano, um dos indicadores do eixo econômico, influencia nesse cálculo. Isso porque quanto maior é a renda média, o acesso à educação formal e a expectativa de vida, maior tendem a ser os meios e condições para lidar com a doença.
Além dele, a receita corrente líquida per capita do Estado ajuda a mensurar a capacidade fiscal. Dessa forma, aqueles com maior arrecadação per capita geralmente contam com políticas mais efetivas, visto que possuem maior condição econômica para lidar com o tratamento e as medidas de combate à Covid-19.
Diretamente relacionado a isso, está o gasto com saúde estadual per capita. Isso porque esse gasto dá uma melhor visão qualitativa do gasto ao empregar recursos contra o vírus.
Já a porcentagem dos domicílios com mais de seis residentes também traz muitos impactos. A densidade habitacional está diretamente relacionada com o poder de a doença se alastrar. Assim, se esta for muito elevada, há maior propensão de prejudicar a efetividade das medidas de isolamento.
O percentual da população acima dos 65 anos determina qual é a parcela da população que está diretamente mais vulnerável ao coronavírus. É importante pois este é o principal grupo de risco da doença.
Além disso, a falta de acesso ao saneamento básico, sem tratamento de esgoto e outras condições inadequadas, contribui para diminuir a imunidade da população.
Por fim, determinar a população total do Estado contribui diretamente para direcionar políticas públicas que deem maior atenção aos Estados mais populosos, visto que estes tendem a propagar mais a doença, já que há maior potencial para aglomerações.
ÍNDICE DE VULNERABILIDADE SÓCIO-FISCAL À COVID-19
Ele é medido com base na receita corrente líquida per capita, o gasto em saúde per capita, o percentual de idosos na população, a densidade habitacional, o acesso à esgoto e a população total.
Neste campo, o Espírito Santo ficou em 10° lugar de menor vulnerabilidade, acima da média nacional.
Assim, a medição dessa tendência de indicadores estruturais de vulnerabilidade podem auxiliar na implementação de políticas de saúde pública. Neste caso, mais especificamente, aproxima a capacidade dos governos estaduais de responderem aos choques externos ao sistema de saúde.
EIXO DE INFRAESTRUTURA DE SAÚDE
No eixo de infraestrutura médica, foram observados o número de UTIs, os médicos a cada cem mil habitantes e os respiradores a cada cem mil habitantes.
Todos esses indicadores determinam diretamente se há maior ou menor capacidade de enfrentamento da pandemia, visto que são insumos necessários para combater a Covid-19.
No médio prazo, portanto, observa-se uma associação entre o número de casos e mortes acumulados e o Índice de Vulnerabilidade Hospitalar, formado por esses indicadores.
ÍNDICE DE VULNERABILIDADE HOSPITALAR À COVID-19
Nesse quesito, o ES ficou em 5°, cerca de dois pontos melhor em desvio padrão ao redor da média. O Distrito Federal foi o primeiro colocado, sete pontos acima da média, enquanto o Amapá ficou em último lugar.
O AVANÇO DA COVID-19
Antes de tudo, cabe lembrar que os erros de mensuração entre os Estados são distintos e recorrentes, tornando relativamente imprecisos os dados. A subnotificação corrobora para isso também.
Nesse caso, os Estados que fazem maior número de testagens detectam quadros mais preocupantes da infecção. No entanto, os dados mostram uma correlação, sem falar que em Estados com níveis similares de testagem, a comparação tende a mostrar resultados mais precisos.
Como exemplo, em localidades como Amazonas, Ceará, Pará e Maranhão, apesar dos níveis de testagens similares aos de outros Estados, apresentaram número de casos notificados muito maior.
PANORAMA DA COVID-19 POR REGIÃO
No que se refere à curva de infecções notificadas, a Região Norte se sobressai devido ao elevado número de casos, com curva ainda ascendente. Para o mesmo número de dias seguintes à pandemia bater um caso por milhão de habitantes, o número de casos por lá chega a ser dez vezes maior do que nos Estados com menos infecções.
A Região Norte também se destaca negativamente quanto à mortalidade, seguida por estados do Sudeste e do Nordeste. Já o Sul e o Centro-Oeste estão em melhores posições.
PANORAMA DA COVID-19 POR ESTADO
O número de mortes por milhão de habitantes 75 dias após a contagem atingir 1 caso por milhão foi cerca de 60 no ES, sendo o 11° colocado na comparação nacional. O Estado em que esse cenário foi mais grave foi o Amazonas, com 300 mortes.
A tendência é haver maior subnotificação do número de casos em detrimento do número de mortes. Mesmo assim, o levantamento do IMP alerta que deve haver algum ceticismo ao analisar esses dados, visto que diferenças sistemáticas na política de saúde nos sistemas públicos estaduais podem influir no julgamento do fator da morte, alterando o percentual de mortos também.
Além disso, um forte indicador antecedente do número de mortes é o número de casos um mês antes. Isso porque é decorrido em média esse intervalo de tempo entre a notificação e o registro do óbito, caso ocorra.
O número de casos de Covid-19 por milhão de habitantes 100 dias após a contagem atingir 1 caso por milhão no Espírito Santo era de pouco mais de 10 mil, sendo também o 11° estado com o maior número de contaminações nessa comparativa.
CONCLUSÃO
Em suma, o Espírito Santo apresentou desempenho superior à média brasileira em todas as comparativas. Além disso, foi um dos primeiros Estados do país em que o número de mortos começou a reduzir.
O que o levantamento do IMP mostra é que, para além da atuação positiva do governo estadual na crise sanitária, o Espírito Santo já reunia melhores condições do que a média do país. É mais uma condição estrutural relevante em que o Estado se destaca perante o cenário nacional, somando-se a seu ambiente de negócios e franco desenvolvimento de seu mercado de capitais.