Uma alternativa eleitoral a Lula e Bolsonaro ainda não deslanchou, mas não faltam candidatos a candidato. Luiz Felipe D'Ávila esteve no ES, mas tem um longo caminho para, ao menos, ser lembrado
Ele esteve no Espírito Santo na última sexta-feira (7) e conversou com a coluna. Em 2018, foi João Amoêdo quem disputou a Presidência pelo partido. Obteve 2.679.744 votos (2,5%) e ficou em 5º lugar. O Novo é um partido que prima pelo liberalismo, logo, está à direita de pré-candidatos como Ciro. Como decidiu disputar contra Bolsonaro, também supõe-se que a sigla não apoia o atual chefe do Executivo.
Nas fileiras do partido, no entanto, há admiradores, alguns envergonhados, outros nem tanto, de Bolsonaro. Tanto que, para os críticos, o Novo é uma espécie de "bolsonarismo de sapatênis". D'Ávila rechaça, de pronto, a aproximação com o presidente: "Qual foi a pauta bolsonarista, pauta de costumes destrambelhada, que a bancada do Novo votou a favor? Nenhum. Votamos a favor da Reforma da Previdência, de pautas econômicas, que votaríamos favoravelmente fosse o governo do Lula ou do Bolsonaro".
Questionado sobre como votou no segundo turno das eleições em 2018, quando as opções eram o petista Fernando Haddad e Bolsonaro, D'Ávila disse que anulou o voto.
"O populismo é a desgraça que está acabando com o Brasil"
Luiz Felipe d'Ávila (Novo) - Pré-candidato à Presidência da República
Para ele, a PEC dos Precatórios "é a vitória do corporativismo contra o povo". A PEC permite o aumento de gastos do governo federal, em ano pré-eleitoral e também em 2022. Isso vai permitir o pagamento do Auxílio Brasil, um Bolsa Família repaginado, mas também vai garantir emendas parlamentares turbinadas.
Durante a entrevista concedida à coluna, o pré-candidato do Novo falou por diversas vezes a palavra "povo" e defendeu "as reformas". "Quem passa fome tem que ser acolhido, é óbvio, mas dá para fazer política social fazendo boa política fiscal", defendeu.
"O Brasil foi o único país em que as pessoas foram às ruas a favor da Reforma da Previdência", disse um empolgado D'Ávila. Aqui surgem algumas questões a serem refletidas, o que faremos a partir de agora.
"As pessoas" a quem o pré-candidato do Novo se referiu eram alguns dos apoiadores de Bolsonaro, que vão às ruas, via de regra, reverberar as pautas do governo, inclusive as "destrambelhadas". Poucos entre eles saberiam explicar a Reforma da Previdência proposta e defendê-la com argumentos que não fossem "mito, mito". Não estou dizendo que nenhum dos manifestantes saberia. Eu escrevi "poucos".
Afinal, reforma previdenciária ou tributária – que está sempre em discussão e nunca sai do papel – é um tema árido. O povo, sem aspas, passa ao largo desses debates. É esse povo, no entanto, que sofre com a inflação galopante e com falhas nas políticas de assistência social.
No Brasil há vários "Brasis". O Novo de D'Ávila ainda não conseguiu representar toda essa heterogeneidade. É, digamos, um partido de nicho. Tem oito deputados federais e quer chegar a "13 ou 14" após as eleições de 2022. Na Câmara há 513 cadeiras.
O pré-candidato do Novo é cientista político, um estudioso, e autor de livros como "Brasil, uma democracia em perigo", publicado em 1990 (mas bem que o título parece atual). Nunca ocupou um cargo eletivo, nem disputou uma eleição. Tentou, em 2018, quando estava no PSDB, concorrer ao governo de São Paulo. Disputou as prévias (uma eleição interna), mas João Doria levou a melhor.
Se eleito, o cientista político disse que pretende privatizar "todas" as estatais: "A Petrobras é o melhor exemplo para privatizar. Serviu para corrupção e manipulação de preços".
Para levar a ideia a cabo, entretanto, ele precisaria de apoio do Congresso, em que, na melhor das hipóteses, contaria com "13 ou 14" deputados do Novo.
Como não pretende manter o "orçamento secreto", irrigado com dinheiro de emendas parlamentares nada transparentes, como faria para governar? "O que falta ao Congresso é uma prioridade clara por parte do governo. Quando o governo tem rumo consegue mobilizar o Congresso e a sociedade civil", respondeu.
D'Ávila diz que é possível e cita o exemplo do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o único do Novo, como alguém que, na avaliação de D'Ávila consegue fazer uma gestão eficiente e contar com a simpatia do povo. Zema, por sua vez, é um dos governadores mais próximos a Bolsonaro.
O pré-candidato do Novo tem o desafio de, primeiro, tornar-se conhecido e ainda convencer os eleitores de que o partido realmente é novo e não mais do mesmo.
A terceira via já tem diversos pré-candidatos ou candidatos a candidato: João Doria e Eduardo Leite, que disputam as prévias do PSDB para decidir qual deles vai aparecer nas urnas; Ciro Gomes (PDT), se descongelar a pré-candidatura; Sergio Moro, que vai se filiar ao Podemos e anunciar se vai mesmo concorrer; Cabo Daciolo, que está filiado ao Brasil 35; Luiz Henrique Mandetta (DEM); Rodrigo Pacheco (PSD); Alessandro Vieira (Cidadania) e Simone Tebet (MDB).
Nem todos esses nomes vão aparecer nas urnas em 2022, mas a fragmentação pode não ser positiva. D'Ávila, no entanto, tem uma percepção mais positiva: "O eleitor ainda não escolheu um candidato, mas não quer votar em Lula nem em Bolsonaro, eles têm uma alta rejeição (mas também lideram as intenções de voto). Pela lógica de mercado, quanto mais candidatos, melhor".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.