Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

OAB x Sejus

TJES mantém restrição de horário para advogado atender preso, mas concede um pedido

A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) estabeleceu novas regras para a entrada de advogados em presídios. Nos bastidores, há preocupação com quem atua como "pombo-correio" do crime

Publicado em 15 de Novembro de 2023 às 02:10

Públicado em 

15 nov 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Presídio Regional de Linhares (PRL)
Presídio Regional de Linhares (PRL) Crédito: Brunela Alves/ A Gazeta
A portaria da Secretaria Estadual da Justiça (Sejus) que estabeleceu regras para o atendimento feito por advogados a internos do sistema prisional capixaba foi mantida quase na íntegra pelo Segundo Grupo de Câmaras Cíveis Reunidas do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).
O colegiado atendeu, entretanto, a um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES). Os advogados vão poder atender os presos aos finais de semana e feriados. Isso em tese, uma vez que o processo ainda não transitou em julgado, ou seja, ainda é possível apresentar recurso à decisão.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já determinou que as regras da Sejus sejam adotadas como concebidas originalmente até que haja o trânsito em julgado.
Em resumo, é o seguinte: até maio de 2023, advogados podiam ir até presídios atender internos, seus clientes, a qualquer hora e em qualquer dia. Então a Sejus publicou uma portaria com regras mais rígidas. Os atendimentos poderiam ocorrer apenas em dias úteis — de segunda a sexta — e entre 7h e 20h.
Outra novidade é que se um interno tem três advogados, por exemplo, somente pode receber um de cada vez. E advogado que não tem procuração fica limitado a fazer três visitas por preso.
A OAB-ES acionou o Judiciário. Uma decisão liminar (provisória) suspendeu trechos da portaria. O governo do Espírito Santo, contudo, recorreu ao STJ e obteve uma vitória. As regras foram restabelecidas.
Faltava o julgamento do mérito do caso no TJES. Isso ocorreu na última quarta-feira (8). O acórdão (decisão colegiada) foi publicado na sexta (10).
A OAB-ES, em um mandado de segurança coletivo, argumentou que parte da portaria, como a restrição de horário, viola prerrogativas da advocacia e prejudica o direito de defesa do cidadão.
A Sejus, por sua vez, apontou que foi preciso adotar as regras por uma questão de segurança e organização do sistema penitenciário.
POMBO-CORREIO
Nos bastidores, a preocupação, na verdade, é com "bandidos que têm carteirinha da OAB". Familiares de presos somente podem visitá-los em horários e dias específicos. Os advogados, porém, podiam falar com eles a qualquer momento.
Assim, se um criminoso quisesse passar um recado para comparsas que estão em liberdade, poderia usar um advogado para levar a informação, que chegaria mais rapidamente. Isso, claro, se o advogado em questão se associasse a uma organização criminosa. 
A OAB-ES defende que esses casos são minoria e que a portaria da Sejus não é capaz de impedir o "leva e traz", apenas penaliza a maioria.
 O TJES determinou a volta dos atendimentos aos finais de semana e feriados, entre 7h e 20h. Mas considerou que a portaria da Sejus é legal.
O acórdão registra que não há afronta às prerrogativas dos advogados "e sim disciplinamento quanto à visitação de advogados, em dias pré-determinados, não implicando em supressão de direitos dos presos".  "O limite de horário é indispensável para organização e funcionamento da unidade", diz o texto.
O relator do caso é o desembargador Telêmaco Antunes de Abreu Filho. A decisão foi unânime.
"A Ordem obteve uma vitória parcial (com a permissão de atendimento aos finais de semana). O que a gente espera é que o governo dê cumprimento imediato a isso, sem  esperar o trânsito em julgado", afirmou o presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk Filho, à coluna.
"Vamos atrás de que seja possível o atendimento com mais de um advogado presente e que, em casos excepcionais, os atendimentos possam ocorrer fora do horário estipulado. Estamos em contato com o governo e também em Brasília (STJ)", complementou Rizk Filho.
"Não vejo qual seria o prejuízo de dois advogados conversarem com o preso ao mesmo tempo. Impedir isso atrapalha a defesa. Outra coisa é que o preso do semiaberto chega à unidade às 19h. E o horário de atendimento (do advogado) acaba às 20h. Se pudessem colocar até as 21h, já ajudaria", sugeriu a diretora estadual da Associação Brasileira dos Advogados (ABA), Érica Neves.
"(Advogado pombo-correio) é a minoria da minoria da minoria. Tenho certeza que nenhuma dessas restrições vai impedir quem quer cometer ilícito. Este tem que ser investigado e punido, expulso da Ordem", complementou a advogada.
QUESTÃO DE SEGURANÇA
"O objetivo é organizar e estruturar os horários de movimentação e atendimentos nas unidades prisionais, por uma questão de segurança", afirmou o secretário estadual de Justiça, André Garcia.
"A decisão do Tribunal reconheceu a importância da necessidade de se estabelecer um regramento"
André Garcia - Secretário estadual de Justiça
Ele avaliou que a permissão de atendimento aos finais de semana não vai atrapalhar os objetivos da Sejus e disse que isso vai passar a ser permitido assim que a portaria for republicada, com a adequação necessária.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Motociclista morreu ao colidir com outra moto e bater no muro em Cariacica
Motociclista morre ao bater em outra moto e se chocar contra muro em Cariacica
Ministério da Justiça abre investigação por propaganda abusiva de bet na CazéTV
Ministério da Justiça abre investigação sobre ‘publicidade abusiva’ de bets durante jogos da CazéTV
Evento Todas Elas - Elaine Silva, Maria da Penha, a jornalista Rita Batista, a juíza Thaita Trevisan (terno azul), e a secretaria Fabiana Malheiros (azul/óculos)
'Violência contra a mulher começa pelo machismo', aponta Rita Batista no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados