FPSO Capixaba, da Petrobras, que produz e armazena petróleo no campo de Cachalote, no Parque das BaleiasCrédito: Agência Petrobras
A contratação de uma plataforma da Petrobras do tipo FPSO no litoral Sul do Espírito Santo segue a passos lentos, ou empacada. A estatal do petróleo já abriu procedimento para cancelar a licitação que garantiria o afretamento, espécie de aluguel, de uma plataforma para realizar a operação do Integrado Parque das Baleias (IPB). Apenas uma empresa interessada se manifestou, mas o valor a ser negociado foi considerado muito alto.
A coluna apurou que o destino da licitação é o cancelamento mesmo, embora ainda não tenha havido a formalização do ato. O investimento está previsto no plano de negócios da Petrobras há tempos, mas passou por uma série de adiamentos. Originalmente, a ideia era que o início da operação ocorresse em 2021. Mas essa previsão passou para 2023 e depois para 2024.
E é bem capaz que o estado fique mais um tempo a ver navios (perdoem o trocadilho). O tema não diz respeito apenas à produção de petróleo da estatal ou ao interesse imediato de empresas ligadas ao setor no Espírito Santo.
A produção de petróleo gera o pagamento de royalties e participações especiais, dinheiro que, se bem empregado pelo poder público, pode ser revertido em investimentos sociais relevantes para a população.
Além disso, uma plataforma precisa de funcionários, gerando empregos, e movimenta a indústria de logística e serviços atrelados, gerando mais empregos.
Mas os campos localizados no Parque das Baleias já são maduros, ou seja, com o passar do tempo produzem menos, não mais.
O leitor pode se perguntar a razão de se querer investir em um combustível fóssil, que está com os dias contados, uma vez que a matriz energética caminha a passos largos, ao menos no mundo desenvolvido, para mudar. A colunista fez o mesmo questionamento.
Quem respondeu foi Cícero Grams, gerente executivo de Negócios da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás. Ele destacou que, sim, há cada vez mais investimentos em fontes renováveis de energia, como a eólica e a de geração solar, de forma irreversível. E ainda tem os veículos elétricos.
Por isso mesmo deveria haver uma corrida contra o relógio. “Existe a expectativa de reversão da matriz energética. Mas isso deve ocorrer em 2030, 2040. Até lá, a demanda (por petróleo) é crescente. O objetivo é que se tenha a extração enquanto ainda há valor agregado. Se esperarmos, ele pode ter um valor muito menor e a exploração ser inviável economicamente”, afirmou.
"Sozinho, o Parque das Baleias representa 70% de todo o óleo produzido no Espírito Santo, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, e esses são dados recentes, de julho de 2021. É o maior campo produtor. A Petrobras tem um plano de revitalização. Podemos produzir mais óleo, mais cedo", complementou.
Ao menos em relação a outros estados, a Petrobras não tem perdido tempo. “A gente está vendo uma parcela muito significativa de investimentos feita pela Petrobras em outros estados. O Rio de Janeiro vai ter 12 plataformas (numa mistura de afretamento e plataformas próprias da Petrobras). O Espírito Santo, que teria apenas uma nova plataforma, ainda teve esse cancelamento”, destacou Grams.
Ele avaliou que uma das opções para fazer o empreendimento deslanchar seria a mudança na contratação. Em vez de a Petrobras tentar afretar, alugar, uma plataforma, a estatal poderia realizar a operação com uma plataforma própria.
Isso poderia demorar mais? Bem, demorando já está, não é mesmo?
Uma curiosidade: as plataformas que têm nomes começados com FPSO são afretadas. As que começam apenas com P, como P75, são próprias. As do tipo FPSO são usadas para produção, armazenamento e transferência de petróleo e alcançam mais de dois mil metros de profundidade.
O QUE DIZ A PETROBRAS
A Petrobras informou à coluna que não desistiu de instalar a plataforma no Espírito Santo, mas não informou como pretende proceder para que isso se materialize o mais rápido possível.
”Não há alteração no projeto de revitalização do campo de Jubarte. O Projeto Integrado Parque das Baleias permanece no portfólio dos projetos que compõem o Plano Estratégico 2021-2025 da Petrobras. Em relação à licitação para contratação do FPSO a ser instalado no campo, a companhia esclarece que o processo ainda está em curso, não sendo possível, no momento, informar sobre seu andamento”, informou a estatal, em nota.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.