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Reforma administrativa

Podemos não vai fazer parte do secretariado de Casagrande. Veja o motivo

Governador disse que o partido somente não estaria no 1° escalão se não quisesse. E não quis, devido a um impedimento estabelecido pelo chefe do Executivo

Publicado em 07 de Fevereiro de 2025 às 10:58

Públicado em 

07 fev 2025 às 10:58
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Gilson Daniel, deputado federal
Gilson Daniel, deputado federal e presidente estadual do Podemos Crédito: Pablo Valadares/Câmara
O governador Renato Casagrande (PSB) já havia afirmado que o Podemos, uma sigla aliada, somente não faria parte do secretariado da gestão estadual se não quisesse. Como a coluna mostrou, no início de janeiro, porém, um impedimento foi estabelecido: o deputado federal Gilson Daniel, que preside o Podemos no Espírito Santo, não poderia ser escolhido secretário. É que se ele se licenciasse do mandato, Coronel Ramalho, que saiu do partido e foi para o PL, assumiria a cadeira em Brasília, como suplente.
Ramalho perdeu a disputa pela Prefeitura de Vila Velha em 2024, mas, na campanha, criticou o governo Casagrande, que o próprio Ramalho havia integrado, e tornou-se, assim, um desafeto do Palácio Anchieta. Alçar Gilson ao secretariado e dar um mandato, ainda que temporário ao coronel da reserva da Polícia Militar, portanto, foi uma possibilidade descartada pelo governador. 
O Podemos poderia indicar outro nome para o primeiro escalão, mas o presidente estadual do partido preferiu recusar a oferta. "Não estamos em busca de cargos e sim de ajudar na entrega de políticas públicas. Nossa opção foi não participar (do secretariado), mas continuamos na aliança com o governador", afirmou Gilson Daniel, nesta sexta-feira (7). 
Mas por que? "O que foi colocado para a gente foram espaços que não condiziam com o que queríamos fazer pela sociedade capixaba", respondeu o deputado federal.
Ele preferiu não revelar qual ou quais secretarias foram oferecidas ao partido e ressaltou, mais de uma vez, que, de qualquer forma, o Podemos está ao lado de Casagrande.
Sobre o tópico Coronel Ramalho, Gilson Daniel confirmou o que a coluna havia apurado nos bastidores, que o próprio governador se opôs à ida do ex-secretário de Segurança Pública para Brasília e, por isso, descartou nomear Gilson secretário estadual.
"O Ramalho foi muito agressivo com o governo e com o Arnaldinho (Borgo, prefeito de Vila Velha) na campanha, criou um mal-estar. Ele (Ramalho) poderia assumir o mandato e fazer, de novo, enfrentamento com o governo Casagrande", afirmou Gilson Daniel.
"Vamos manter a aliança com o governo. O Podemos sempre esteve com Casagrande"
Gilson Daniel - Deputado federal e presidente estadual do Podemos
O Podemos contestaria no Judiciário o exercício da suplência de Ramalho, já que o coronel trocou o partido pelo PL, mas, mesmo assim, por algum tempo, o ex-secretário estadual de Segurança Pública exerceria o mandato de deputado federal.
Para aliados de Casagrande, isso seria um problema também para o próprio Podemos. Ramalho, uma vez empossado, poderia usar a visibilidade adquirida para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados e tirar votos de Victor Linhalis (Podemos), deputado federal que vai tentar a reeleição e, assim como o coronel, tem nicho eleitoral em Vila Velha.
Gilson Daniel, por sua vez, diz que, por ele, não haveria problema deixar Ramalho assumir como suplente. "Eu conversei com o Ramalho e ele me disse que, aconteça o que acontecer, ele vai ser candidato a deputado estadual, não a federal", revelou. "Pelo menos foi o que eu entendi", ponderou.
"O Ramalho é meu amigo, foi meu secretário (de Defesa Social, na Prefeitura de Viana) e nos falamos sempre."
"Não posso pagar uma fatura do Ramalho, queríamos que ele fosse candidato a prefeito de Vitória, sem conflitar com Arnaldinho e com o governador, mas ele fez outra opção. O Podemos não causou isso"
Gilson Daniel - Deputado federal e presidente estadual do Podemos
Casagrande e o núcleo duro palaciano, porém, tampouco quiseram "pagar a fatura", ou seja, beneficiar indiretamente um adversário político para emplacar Gilson Daniel no secretariado.
À coluna, Ramalho afirmou, nesta sexta-feira, que não decidiu se vai ser candidato a deputado estadual ou a federal em 2026 e que pode nem disputar as eleições do ano que vem. Ele ainda se disse "decepcionado" com a decisão do governo Casagrande de barrar Gilson Daniel no governo, "em função da minha pessoa".
"A decisão de disputar em Vila Velha foi considerada uma afronta. Que democracia é essa?", questionou o coronel.
"HÁ SEIS NOMES"
Assim, não houve acordo. O Podemos preferiu não indicar outra pessoa, mas também não vai romper com o governo por causa disso.
"Existia insatisfação", admitiu Gilson Daniel, quanto ao fato de o Podemos não ter um nome indicado pelo partido compondo o primeiro escalão da gestão estadual. "Mas para ajudar na entrega de políticas públicas, não por cargos. O Podemos não está atrás de cargo, se fosse assim, indicaríamos alguém agora", completou o presidente estadual da legenda.
O deputado federal é um dos seis nomes listados por Casagrande como possível candidato governista ao Palácio Anchieta em 2026. Mas a preferência é do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB).
"Ricardo é um amigo, um técnico, sabe administrar. A política vamos discutir. A preferência é do Ricardo, mas há seis nomes. Tenho o pé no chão. Sou candidato a deputado federal, mas quero fazer um trabalho que me permita disputar qualquer cargo", ponderou Gilson Daniel.
"Só que essa discussão está muito antecipada. A população não está na eleição, a classe política que está", pontuou.
Os seis nomes são: Ricardo, Gilson Daniel, Arnaldinho Borgo (Podemos), Sérgio Vidigal (PDT), Da Vitória (PP) e Euclério Sampaio (MDB).

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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