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Após a posse

Os recados e os desafios do novo chefe do Ministério Público do ES

Francisco Berdeal tomou posse como procurador-geral de Justiça nesta quinta-feira (2), o que selou uma vitória do grupo da antecessora dele no cargo, Luciana Andrade

Publicado em 03 de Maio de 2024 às 09:11

Públicado em 

03 mai 2024 às 09:11
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

O procurador-geral de Justiça do MPES Francisco Berdeal e a ex-procuradora-geral de Justiça Luciana Andrade
O procurador-geral de Justiça do MPES, Francisco Berdeal, e a ex-procuradora-geral de Justiça Luciana Andrade Crédito: Divulgação/MPES
Além de afirmar que vai haver concurso para servidores e, talvez, até para promotores de Justiça, o novo procurador-geral de justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Francisco Berdeal, enviou recados e antecipou o perfil que pretende adotar nos próximos dois anos à frente da instituição.
Berdeal tomou posse no cargo nesta quinta-feira (2), após enfrentar uma disputa acirrada pelos votos dos colegas e ser escolhido pelo governador Renato Casagrande (PSB). Já no discurso, o novo chefe do MPES decidiu falar sobre um tema sensível:
"A população capixaba deseja viver em paz, circular livremente e sem medo. A atuação criminal do Ministério Público é fundamental para que o nosso estado possa avançar ainda mais na segurança pública".
A atuação do MPES em relação a esse tema é, justamente, uma das críticas dos integrantes da oposição ao grupo de Berdeal. Em entrevista logo após discursar, o procurador-geral de Justiça afirmou que vai investir no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
"Sessenta por cento dos nossos promotores Justiça atuam na área criminal, nós já trabalhamos fortemente nisso (...) O que nós vamos fazer agora é investir no Gaeco para a aquisição de ferramentas tecnológicas de investigação e no fortalecimento do combate aos crimes de lavagem de dinheiro. Além da integração entre os promotores que atuam nessa área criminal", detalhou.
À mesa de autoridades, estava o governador. Berdeal, ao discursar, falou da "integração com as demais instituições públicas e privadas" e, ao olhar para Casagrande, exaltou: "Governador, o tempo é de união, de cooperação, de diálogo e também de atuação firme na proteção da nossa sociedade e de todos aqueles que clamam por Justiça".
O novo procurador-geral havia ficado em segundo lugar na lista tríplice formada após eleição interna no MPES e escolhido pelo chefe do Executivo estadual para o cargo, de acordo com o próprio Casagrande, pelas qualidades de Berdeal "e pelo comprometimento dele com o Espírito Santo, que a doutora Luciana sempre teve".
Berdeal foi o candidato apoiado pela então procuradora-geral de Justiça, Luciana Andrade.
A administração superior do MPES não é composta apenas pelo procurador-geral. Há ainda os subprocuradores-gerais. Berdeal optou por três mulheres.
Luciana Andrade vai ser a subprocuradora-geral institucional; Andréia Rocha, a subprocuradora-geral judicial e Elda Spedo vai ser mantida como subprocuradora-geral administrativa.
Assim, Andrade, aliada de primeira hora de Berdeal, não sai de cena, continua com um cargo na administração superior. A escolha por Elda Spedo também não passa despercebida. Ela foi procuradora-geral de Justiça e aliadíssima do ex-procurador-geral, hoje desembargador do Tribunal de Justiça, Eder Pontes.
Pontes, nos bastidores, em 2024, apoiou o promotor Danilo Raposo para a procuradoria-geral de Justiça. Opondo-se, portanto, a Berdeal e a Luciana Andrade. Raposo, entretanto, não recebeu votos suficientes para integrar a lista tríplice e ficou pelo caminho.
A manutenção de Elda Spedo como subprocuradora-geral pode ser um aceno a esse grupo. A própria Luciana Andrade afirmou, nesta quinta, que ela e Eder Pontes são e continuam amigos.
O DESAFIO
Ao ser eleito para a lista tríplice, ainda que em segundo lugar, e ao ser escolhido pelo governador para o cargo, Francisco Berdeal superou dois grupos de oposição, liderados pelos promotores Pedro Ivo de Sousa e Maria Clara Mendonça Perim.
Em número de votos, entretanto, os dois concorrentes, somados, o ultrapassaram. Isso quer dizer que a maioria da classe preferiria a oposição a um nome que representa a continuidade da gestão.
Berdeal vai ter que lidar com esse cenário. Não à toa, afirmou, no discurso, que "o tempo é de união".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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