Em 2021, o advogado trabalhista Ben-Hur Farina foi companheiro de chapa de Rizk Filho e, atualmente, chefia a Caixa de Assistência dos Advogados do Espírito Santo (CAAES). Na ocasião, Rizk Filho já buscava a reeleição. "Não concordo com diversas reeleições. Vamos criar uma trava para não ter mais de uma reeleição", afirmou Farina à coluna.
"Eu não mudei. Quem mudou foi ele (Rizk Filho). Ele que abandonou a advocacia", criticou. O presidente da CAAES já foi aliado de Homero Mafra e depois também tornou-se opositor, mas agora tenta uma reaproximação.
"Fui secretário-geral da OAB-ES por três anos, na gestão de Homero. Já conversei com Homero (recentemente) e pedi desculpas. Fiz oposição a ele pois defendia que a Ordem tivesse menos gastos e eu era contra tantas reeleições", ressaltou. Homero teve três mandatos (nove anos) à frente da OAB-ES.
"Hoje a Ordem está encastelada. Para você chegar ao presidente, tem que passar por seguranças e por três portas com tranca. E o presidente não ter atendido o corregedor nacional de Justiça foi muito grave", criticou Farina. A referência foi à reclamação pública feita pelo corregedor, Luis Felipe Salomão, dias atrás, durante inspeção no Tribunal de Justiça (TJES).
Rizk Filho justificou que a assessoria do ministro mudou o horário do compromisso com menos de 24h de antecedência e, assim, houve conflito de agendas.
Ben-Hur Farina define-se como "advogado raiz" e pretende, se eleito, por exemplo, dar transparência à escolha de pessoas para a ocupação de funções ligadas à OAB-ES: "Há cargos de livre nomeação, remunerados, que vão para pessoas de grupos específicos que a advocacia nem sabe, como na Junta Comercial e na Jari (Juntas Administrativas de Recursos de Infrações)".
"Não tenho projeto de poder, não uso a Ordem como escada para nada"
Ben-Hur Farina - Advogado
Também pré-candidata à presidência da OAB-ES, Érica Neves tem 25 anos de advocacia e atua na área do Direito empresarial. Em 2021, concorreu ao cargo. A chapa liderada por ela recebeu 35,21% dos votos.
Érica Neves citou, em entrevista à coluna, algumas propostas que vai apresentar à classe: "Gostaria de implantar um plano de profissionalização da advocacia e dar independência financeira às subseções, elas receberiam um valor obrigatório, para não haver ferramenta de perpetuação de poder".
"Também quero entregar a Ordem com um selo de transparência, para que a OAB nunca seja um possível instrumento de poder sem limites", complementou.
Neves já foi aliada de Homero Mafra, mas os dois estão rompidos. Aliás, o ex-presidente afirmou à coluna que, desta vez, não vai apoiá-la de forma alguma: "Ela ascendeu na Ordem com a minha ajuda e agora diz que eu tiro voto".
Érica Neves decidiu, na entrevista à coluna, não priorizar o tópico, mas ressaltou que "o grupo do Homero continua o mesmo. Ele que saiu por não concordar com o meu nome. O grupo me apoia, não sou pré-candidata de forma isolada, até me surpreendi por ele ser o único (do grupo) a não me apoiar. Estive sempre ao lado dele, nos momentos bons e ruins. Ele achou que eu fosse parar de concorrer, mas não parei".
Já em relação à atual gestão, a advogada fez questão de frisar:
"Sou oposição pura. Nunca apoiei José Carlos Rizk Filho
"
Érica Neves - Advogada
Quem também está no páreo é o presidente da 8ª Subseção, de Vila Velha, a maior do Espírito Santo, José Antônio Neffa Junior. Ele apoiou Rizk Filho em 2018 e 2021.
"Rizk foi eleito com uma das principais promessas sendo a não perpetuação no poder, afirmando que seria presidente por apenas um mandato. No entanto, com a chegada da pandemia, o grupo decidiu continuar seu apoio, considerando que ele não pôde completar todo o trabalho planejado", pontuou Neffa Junior, em nota enviada pela assessoria de imprensa do advogado.
"Porém, ao longo desse processo, tornou-se evidente que havia outro projeto em andamento, que não correspondia ao plano inicial do grupo que o elegeu como presidente da Ordem", diz o texto.
O pré-candidato é advogado há 20 anos, especialista em Direito Processual Civil, mestre em Direito e professor universitário.
"Neffa e centenas de outros advogados optaram por não apoiar um projeto pessoal de poder"
José Antônio Neffa Junior - Advogado - em nota enviada pela assessoria de imprensa
Outro pré-candidato é Marcus Felipe Botelho. Mestre em Direito, foi conselheiro federal, estadual e diretor de Comissões da OAB-ES. A coluna não conseguiu contato com ele até a publicação deste texto.
O QUE DIZ RIZK FILHO
O atual presidente da OAB-ES, por tentar a reeleição, obviamente, é o alvo principal dos concorrentes. Em entrevista à coluna, ele já se defendeu da acusação de tentativa de "perpetuação no poder".
Rizk Filho frisou que, ao contrário dos adversários, nunca ocupou outros cargos na OAB-ES: "Vivo o sistema OAB há apenas cinco anos, como presidente. Temos players da oposição que viveram a OAB por muitos anos, em vários cargos, como secretário-geral e presidente da Caixa dos Advogados, por exemplo".
Cerca de 18 mil advogados estão aptos a votar na eleição para definir o comando da OAB-ES.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.