O governador Ricardo Ferraço (MDB), o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o deputado federal Helder Salomão (PT) são adversários na corrida pelo governo do Espírito Santo e, obviamente, integram grupos políticos e partidos diferentes.
Ideologicamente, Ricardo e Pazolini são até próximos um do outro, uma vez que podemos considerá-los homens de centro-direita. Já Helder é um quadro histórico do Partido dos Trabalhadores.
Estrategicamente, os três têm algumas coisas em comum, explicitadas nas entrevistas concedidas a A Gazeta e CBN Vitória.
Ricardo não apoia ninguém na corrida pela Presidência da República; Pazolini está com Flávio Bolsonaro (PL) e Helder, com Lula (PT).
Mas os três candidatos ao Palácio Anchieta tentaram se afastar do discurso puramente ideológico e de uma eventual nacionalização da eleição estadual.
A tônica das respostas deles foi contrária a "brigalhada", palavra usada por Ricardo e por Pazolini, e marcada por acenos aos eleitores de centro e não aos radicais.
Afinal, historicamente, são os moderados que definem o resultado das eleições, não os extremos, embora estes sejam mais barulhentos.
Ao menos em tese, os três pregaram um diálogo geral e quase irrestrito.
Todos prometeram manter a responsabilidade fiscal na gestão.
Houve consenso também sobre o fortalecimento das forças policiais por meio de concursos públicos, formação de forças-tarefa e investimentos em tecnologia e inteligência para o enfrentamento ao crime.
Os candidatos concordam sobre a urgência de melhorar a mobilidade urbana (superando gargalos no transporte coletivo e rodovias) e apontam o turismo como setor estratégico de serviços para a transição do modelo tributário.
6 X 1
Os três também se disseram a favor do fim da escala 6 x1. Ou seja, querem que os trabalhadores tenham mais tempo de descanso.
Essa decisão cabe ao Congresso Nacional, mais precisamente ao Senado, onde tramita atualmente uma Proposta de Emenda Constitucional a respeito.
COMISSIONADOS
Pazolini e Helder afirmaram que, se eleitos, vão reduzir o número de comissionados na administração estadual.
Não especificaram os percentuais de corte.
Pazolini, aliás, citou a medida quase como uma panaceia para reduzir gastos e, a partir daí, ter recursos para realizar propostas como recompor o quadro da Polícia Civil.
CASO APEX
A crise da Apex, plataforma de investimentos que admitiu sofrer de "inconsistências financeiras" foi mencionada nas três entrevistas, apesar de ter sido tema de pergunta apenas em uma delas, a protagonizada por Ricardo Ferraço.
Um dos filhos do governador, Pedro Chieppe Ferraço, é sócio da Apex. Ricardo respondeu que essa crise é privada, não envolve dinheiro público, e que acredita na inocência do filho.
Pazolini e Helder trouxeram o caso à baila na tentativa de atingir Ricardo, ainda que não tenham citado o nome do emedebista.
Ambos chamaram a atenção para o risco de a derrocada da Apex prejudicar indiretamente a economia do Espírito Santo.
AS DIFERENÇAS
Nem tudo, claro, é consenso.
Ainda na área da segurança pública, já mencionada aqui, Ricardo voltou-se a citar exemplos que considera bem-sucedidos da atual gestão estadual.
Sustentou que "nenhuma rua" é dominada pelo crime organizado no Espírito Santo.
Pazolini foi quase monotemático ao citar as realizações da Prefeitura de Vitória, município que comandou por cerca de seis anos.
Já Helder Salomão ressaltou que é essencial enfrentar o crime no "andar de cima" (desarticulação do braço financeiro/lavagem de dinheiro) e a redução da letalidade policial.
Foi o único a propor que todos os policiais usem câmeras corporais com gravação contínua durante o expediente nas ruas.
AS ESQUIVAS
Pazolini e Ricardo foram os que mais se esquivaram diante de questões mais sensíveis.
O governador, além de não se posicionar na disputa pelo Palácio do Planalto, não quis nem definir o próprio espectro ideológico, se de esquerda, direita, centro-direita etc.
Também não foi claro sobre qual seria a real influência do ex-governador Renato Casagrande (PSB) num eventual governo do emedebista a partir de janeiro de 2027.
Pazolini, igualmente, não foi enfático quanto a qual seria o papel do PL do senador Magno Malta em sua gestão. Preferiu dizer que, se eleito, o jogo vai "zerar" e todos os partidos vão ser ouvidos, inclusive os que não o apoiam agora.