Logo após o episódio, Polese afirmou que não fez o teste "por orientação do jurídico" e que, por ser crítico à cúpula da segurança pública do Espírito Santo, temia represálias.
Durante meses, ele não revelou se havia ou não ingerido bebida alcoólica pouco antes de pegar o volante do carro oficial da Assembleia Legislativa.
Estava implícito que um policial militar fraudaria o resultado de um teste apenas para fustigar alguém de quem o comandante não gosta.
Os policiais têm fé pública. O PM que lavrou o auto de infração da blitz registrou que Polese apresentava "odor etílico".
Obviamente, era odor de vinho.
A coluna quis saber o que o coronel Douglas Caus teria a dizer sobre o momento de sinceridade de Polese.
Afinal, o deputado admitiu que recusou o bafômetro não devido ao medo da "alta cúpula da segurança pública" e sim por temer pagar por seus próprios atos.
O militar preferiu não colocar mais lenha na fogueira, mas mandou um recado.
"Temos a mesma conduta, independentemente de quem for (o motorista abordado), principalmente em um estado em que as mortes no trânsito têm aumentado em relação aos últimos anos", afirmou o comandante-geral da PM nesta terça-feira (2).
"A Polícia Militar vai continuar fazendo seu trabalho institucional, não levando em conta qualquer classe social ou qualquer tipo de cargo que a pessoa ocupe", complementou Caus.
Enquanto isso, no Ministério Público Estadual, foi instaurada uma notícia de fato para apurar o ocorrido naquela madrugada de maio. Polese pode, ao final das investigações, ser alvo de uma ação judicial.
Com colaboração de João Barbosa