Ricardo Ferraço, Arnaldinho Borgo e Renato Casagrande em maio, durante evento alusivo à colonização do solo espírito-santenseCrédito: Adessandro Reis/PMVV
Isso deu margem a especulações de que o prefeito de Vila Velha poderia disputar até contra Ricardo, que integra o mesmo grupo político. Embora Arnaldinho nunca tenha cravado a possibilidade, o ímpeto do político de Vila Velha de disputar o Palácio Anchieta transparecia mesmo a iminência de uma divisão no grupo casagrandista.
Os ânimos, agora, estão menos acirrados. Aliados do prefeito asseguraram que ele mantém o objetivo de se candidatar e continua a trabalhar por isso. Já pessoas próximas a Casagrande afirmaram à coluna, sob anonimato, que a expectativa é que Arnaldinho "jogue a toalha" e faça, em breve, "uma saída honrosa".
No último dia 28, o prefeito reuniu-se com Casagrande e Ricardo, no Palácio. A conversa, de acordo com interlocutores dos três participantes, foi amena e o discurso, de união.
A ideia foi deixar claro que, ao fim e ao cabo, vai haver apenas um candidato casagrandista ao governo do Espírito Santo. Ou Ricardo apoia Arnaldinho ou vice-versa. O que aparecer melhor nas pesquisas de intenção de voto vai ser o escolhido.
Na prática, entretanto, Casagrande já fez uma escolha, assim como seus conselheiros e aliados mais próximos. O ungido foi o vice-governador.
"Arnaldinho garantiu que vai apoiar o nome escolhido pelo grupo do governador. E esse nome é o do Ricardo. Então, na minha avaliação, o que vai ocorrer, mais cedo ou mais tarde, é o prefeito apoiar o vice-governador", contou um palaciano.
"Ele não teria como disputar contra Ricardo, de qualquer forma. Seria uma contradição se colocar como adversário do candidato apoiado por Casagrande depois de tudo que o governador fez por ele e por Vila Velha. Soaria até como traição", analisou outro aliado do socialista.
Uma pessoa próxima ao prefeito admitiu à coluna que bater de frente com o Palácio não é boa ideia. O objetivo é contemporizar com Ricardo, mas sem desistir do objetivo.
A aposta dos arnaldistas é no "fator geracional", a tese de que os eleitores querem "sangue novo" na política estadual, o que, potencialmente, favoreceria o prefeito em pesquisas de intenção de voto a serem realizadas mais perto da data do pleito. Com base nos percentuais, eles esperam mudar a opinião dos ricardistas e, assim, construir o projeto Arnaldinho 2026.
"Não vejo como Arnaldinho se viabilizar mais que Ricardo, mesmo que pontue bem nas pesquisas, devido à situação político-partidária. Arnaldinho não está filiado a um partido e não tem opções de siglas robustas. Como faria campanha com poucos segundos de televisão, sem dinheiro do fundo eleitoral, sem chapas de candidatos a deputado pedindo votos para ele?", questiona um aliado de Casagrande.
Mas é justamente tudo isso que o prefeito pretende conquistar com o tempo, ao mudar a direção do vento para o próprio lado.
Se vai conseguir, bem, aí são cenas dos próximos capítulos.
Enquanto isso, o governador e o prefeito continuam a aparecer lado a lado em eventos públicos, como sinal de manutenção da parceria política.
Os dois protagonizaram, por exemplo, a inauguração de uma Unidade Básica de Saúde em Rio Marinho, Vila Velha, no último sábado (9).
Renato Casagrande e Arnaldinho Borgo na inauguração da unidade de saúde de Rio MarinhoCrédito: Instagram/@arnaldinhoborgo
Deixou claro que apenas um seria escolhido para a empreitada e declarou preferência pelo vice-governador.
Essa preferência deixou de ser pró-forma e passou a ser escancarada nos últimos meses. O único que se atreveu a se posicionar publicamente como alternativa ao vice foi Arnaldinho. O prefeito ousou até flertar com o PSD, partido do ex-governador Paulo Hartung, arquirrival de Casagrande, o que, ao que parece, não rendeu frutos, mas causou furor.
Da Vitória colocou-se à disposição para disputar um cargo majoritário no ano que vem, ou seja, o Senado ou até o governo, já que descartou a possibilidade de ocupar a vaga de vice.
Essa movimentação, porém, é interpretada, nos bastidores, mais como uma forma de tentar se viabilizar como candidato a senador do que como uma real tentativa de brigar pelo comando do Executivo estadual.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, onde exerce a funcao de editora-adjunta desde 2020.