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Na gestão da Ceturb

O cálculo político do pedágio na Terceira Ponte e na Rodovia do Sol

Governo vai administrar as vias até licitação definir empresa a ser contratada. Enquanto isso, usuários vão continuar a pagar tarifas. O valor ainda vai ser calculado, mas, politicamente, já há um preço

Públicado em 

26 out 2023 às 08:29
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Pedágio da Terceira Ponte: motoristas não estão conseguindo novos TAGs para passar pela Via Expressa
Praça do pedágio da Terceira Ponte, em Vitória Crédito: Ari Mello/G1
Ninguém gosta de pagar pedágio. Além do valor, ainda tem fila nas cabines — principalmente para os veículos que não têm um meio de pagamento automático. Assim, falar em cobrança é algo impopular. Mencionar a possibilidade de liberar as cancelas, por sua vez, é música para os ouvidos dos motoristas.
Isso ganhou ainda mais peso depois que o governo do Espírito Santo anunciou que a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros (Ceturb) vai administrar a Terceira Ponte e a Rodovia do Sol, a partir de 22 de dezembro, até que uma empresa seja contratada por meio de licitação para tal.
A questão do pedágio, porém, segue controversa. A cobrança vai continuar. Um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ainda vai definir os valores.
Politicamente, contudo, já há um preço. Afinal, é um órgão estatal, custeado com dinheiro público, cobrando mais dinheiro do público.
Por outro lado, se sem o pedágio os serviços, principalmente, na Terceira Ponte, deixassem a desejar, o governo também sairia prejudicado.
E outra coisa: quando a empresa que vencer a licitação assumisse a administração das vias, como a população reagiria após, digamos, um ano de gratuidade à volta da cobrança?
Na Assembleia não faltaram deputados para contrapor ao menos o pedágio da Rodovia do Sol. É o mais caro: R$ 12,60 para ir e mais R$ 12,60 para voltar, no trajeto entre Vila Velha e Guarapari ou vice-versa.
Fabrício Gandini (Cidadania) chegou a apresentar uma emenda ao projeto do governo sobre a gestão da Ceturb para eliminar a cobrança na rodovia, mas a ideia foi derrotada por 14 votos contra 7.
Os parlamentares também sabem que defender o fim do pedágio é algo popular, ainda que, na prática, não consigam derrubá-lo.
O governador Casagrande, em entrevista à coluna, defendeu a manutenção da cobrança e citou argumentos técnicos:
"O estado, nas rodovias que gerencia, hoje, presta um serviço de manutenção, mas não temos um serviço de atendimento ao usuário. Se um carro quebra na Terceira Ponte, não se pode deixar o veículo lá parado duas, três horas para ser removido por um seguro particular"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
Ele também lembrou que a ponte precisa de uma manutenção mais complexa. "É mais do que natural que, num serviço diferenciado como esse, a gente tenha uma cobrança", afirmou o governador.
A tarifa cobrada de quem vai ou volta de Guarapari pela Rodovia do Sol, entretanto, é mais difícil de defender, principalmente para as pessoas que moram em bairros localizados nas imediações da praça de pedágio.
Até deputados casagrandistas, como Zé Preto (PL), que é da cidade saúde, insurgiram-se contra isso.
CETURB VAI FICAR COM 5%
Uma curiosidade é que a Ceturb vai ser remunerada especificamente pelo serviço prestado no Sistema Rodovia do Sol.
A lei aprovada pela Assembleia foi publicada nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial e prevê que a companhia estadual vai receber até 5% da receita arrecadada.
QUEM VAI COMANDAR?
A Ceturb passa a ter uma nova diretoria, composta por cinco membros, somente durante o período em que administrar a Terceira Ponte e a Rodovia do Sol.
Na última terça-feira (24), Casagrande preferiu não dizer o nome de quem vai comandar essa diretoria, mas adiantou que vai ser uma mulher, "uma profissional ligada ao setor de rodovias".
O ideal é que nem houvesse esta transição estatal entre a atual administração das vias, feita pela concessionária Rodosol, e a próxima empresa.
Mas o imbróglio no contrato firmado há 25 anos é tão grande, com Rodosol e governo sem se entenderem sobre quem deve milhões de reais a quem, que cá estamos.
É de suma importância que a próxima contratação tenha regras mais claras, que cada um pague apenas o que deve. E que quem não deve nada não pague o pato.

Correção

26/10/2023 - 12:08
Originalmente, a coluna informou que a Rodosol diz que o governo deve R$ 300 milhões à concessionária, mas, na verdade, essa cifra foi apontada em um estudo contratado pela Arsp. A informação foi corrigida.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, também como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 até 2021, quando assumiu a coluna Letícia Gonçalves.

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