Ex-senador Magno Malta discursa em evento do governo federal, de entraCrédito: Alan Santos/PR
O presidente Jair Bolsonaro passou por diversos partidos, foi eleito pelo PSL em 2018, mas há dois anos deixou a sigla e está sem partido. Ensaiou criar uma legenda, a Aliança pelo Brasil, mas não deu certo, o número mínimo de assinaturas de eleitores para a empreitada não foi alcançado.
Agora, o capitão reformado disse que tem "99% de chance" de integrar os quadros do PL. A se confirmar, o movimento vai marcar a volta de Bolsonaro, oficialmente, ao Centrão. Entre 2005 e 2016, ele foi filiado ao PP, outro esteio do grupo de partidos fisiológicos que apoia o governo da ocasião em troca de verbas e cargos, em negociações pouco republicanas.
O PL, presidido nacionalmente por Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão, tem, no Espírito Santo, o ex-senador Magno Malta como principal expoente.
Derrotado em 2018, Magno voltou a comparecer a eventos e compromissos oficiais ao lado do presidente da República nos últimos meses, apesar de não ter cargo no governo e, logo, nenhuma função pública a desempenhar, como a coluna mostrou.
A filiação de Bolsonaro ao PL fortalece Magno, que deve tentar uma vaga no Senado em 2022.
O ex-parlamentar é quem preside a sigla no estado. A legenda basicamente orbita o ex-senador por aqui. A deputada federal Lauriete (PSC) era do PL, quando casada com Magno, mas, após o divórcio, alegou sofrer discriminação no partido e obteve o aval da Justiça Eleitoral para deixar a agremiação.
O PL tem um deputado estadual, Alexandre Xambinho, que foi eleito, em 2018, pela Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, mas depois migrou para o partido de Magno Malta. A sigla não tem prefeitos no Espírito Santo.
A filiação de Bolsonaro, no entanto, deve turbinar a legenda no estado. O ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido), que é pré-candidato a governador, disse ter "total interesse" em se filiar ao PL. Mas, primeiro, tem que combinar com Magno.
De acordo com Manato, o ex-senador deve viajar com Bolsonaro para os Emirados Árabes Unidos. A viagem está marcada para a próxima sexta-feira (12). Na volta, as trativas partidárias devem ser alinhavadas.
A expectativa é que a filiação do Bolsonaro ao PL seja efetivada no próximo dia 22, que é o número de urna da sigla.
Se Manato realmente for para o PL, a chapa pode ficar "pesada". O partido teria candidato a governador e ao Senado, restando apenas a vaga de vice a ser oferecida a uma sigla aliada.
No ano que vem, diferentemente de 2018, apenas uma cadeira do Senado vai estar em disputa em cada estado.
O PTB já convidou Manato a se filiar. Isso foi antes de o ex-deputado federal Roberto Jefferson se licenciar da presidência nacional do partido. Ele está preso em Bangu 8, no Rio de Janeiro, e já disparou, por meio de uma carta, diretamente da prisão, críticas ao presidente da República.
Antes, Jefferson levou o PTB para o berço do bolsonarismo. No estado, ocorreu o mesmo. Subtenente Assis, que não pode ser filiado, já que é militar da ativa do Corpo de Bombeiros, é uma das figuras próximas à legenda no Espírito Santo. Em 2018, ele disputou, sem sucesso, o Senado pelo PSL.
O PL, Partido Liberal, foi fundado em 2006. Até maio de 2019, o nome da legenda era Partido da República (PR).
O PR, por sua vez, surgiu da fusão do Partido Liberal com o Prona. Espera. O PL é filho do PL com o Prona, do Enéas? Parece a série Dark (Netflix), mas a política brasileira é assim mesmo.
O PL original foi fundado em 1985 e, em 2006, juntou-se ao Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional), de Enéas Carneiro. Os dois partidos haviam obtido resultados tímidos nas urnas e, para sobreviver à cláusula de desempenho, decidiram unir forças.
"Enéas disse não estar 'constrangido' de se unir ao PL mesmo tendo como principal bandeira, na campanha eleitoral, o fato de integrar um partido que não tem parlamentares envolvidos nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas – ao contrário do PL", registrou a Folha de S. Paulo em reportagem publicada em outubro de 2006.
Bolsonaro também não parece constrangido. Em 2018, ele rechaçou aproximação com o então PR, já presidido pelo mensaleiro Valdemar Costa Neto.
“A QUE PONTO CHEGARÃO? Primeiro a imprensa mente ao publicar que estive com Waldemar da Costa na semana passada. Agora diz que aceno para corruptos e condenados. É a velha imprensa de sempre, não sabem fazer outra coisa a não ser mentir e mentir”, escreveu Bolsonaro em 23 de maio de 2018.
Um dos filhos do presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos), apagou um post no Twitter, feito em 2016, em que replicava uma notícia da revista Época: "Delator aponta propina de 3,5% para PR e Valdemar Costa Neto nos contratos de Furnas".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.