Lá, discursou, mencionou por diversas vezes a palavra democracia e ouviu o advogado Luiz Cláudio Allemand citar palavras do próprio presidente do STJ, proferidas em outra ocasião: "Democracia não é silêncio, não é concordância forjada".
A discordância do presidente da República,
Jair Bolsonaro (sem partido), em relação a alguns pressupostos da democracia, como a aceitação do resultado de eleições e de decisões judiciais fez com que, em pleno ano 2021, uma discussão tomasse conta dos meios políticos: "Vai ter golpe?".
Somente o fato de essa pergunta precisar ser feita já é surreal, mas eu não poderia deixar de fazê-la ao presidente do STJ.
Martins chegou a ser cotado para uma vaga no
Supremo Tribunal Federal (STF), contava com a simpatia de um dos filhos de Bolsonaro, o senador
Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), e um aliado de peso: o presidente da Câmara dos Deputados,
Arthur Lira (PP-AL). Humberto Martins também é de Alagoas.
Para ele, está tudo normal. "A democracia é justamente o jogo de ideias, de pensamento, de palavras. A democracia no Brasil continua funcionando plenamente. As instituições democráticas estão sendo exercidas de acordo com a Constituição. O Estado de direito no Brasil caminha normalmente", afirmou à coluna, no início da noite de quinta-feira, após ser homenageado na OAB-ES.
"Não entro nesse aspecto politico. O que eu posso afirmar é que a democracia está funcionando no Brasil, o Legislativo legisla, o Executivo administra e o Judiciário julga."
Bolsonaro optou por indicar o "terrivelmente evangélico" André Mendonça para ocupar a cadeira que pertenceu a Marco Aurélio Mello no Supremo. A nomeação de Mendonça, no entanto, está emperrada porque o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) ainda não marcou a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
É que seria agora ou nunca. No dia 7 de outubro o presidente do STJ completa 65 anos. É a idade limite. Depois, não pode mais tomar posse como ministro do STF.
Também perguntei a Martins se ele está em busca de uma vaga no Supremo. Como resposta, ressaltou que sua missão é o STJ: "Trabalho pela cidadania no STJ. Esta é a minha missão, estou buscando um tribunal próximo ao cidadão. É uma missão que muito me honra. Este é o meu caminho, a minha jornada".
Humberto Martins é hoje magistrado, mas tem origem na advocacia. Foi desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas por meio do Quinto Constitucional, ou seja, entre as vagas destinadas a egressos da advocacia, como determina a Constituição Federal.
O ministro foi muito bem recebido na OAB-ES e chamou a sede da entidade de "minha casa", no sentido de ser a casa da advocacia.
O presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk Filho, fez poucas intervenções durante a solenidade, mas aproveitou para dizer, em relação a Humberto Martins: "Um ministro que, sem dúvida nenhuma, lembra de onde veio".
No dia 23 de agosto, Rizk Filho,
durante reunião extraordinária do Conselho Seccional, afirmou que os colegas deveriam escolher "nomes que nunca se esqueçam de onde vieram, pois é muito triste chegar no Tribunal e não encontrar respaldo de nenhum advogado que tenha saído aqui desta Casa".
Os desembargadores Namyr Carlos de Souza Filho e Annibal de Rezende Lima, egressos da advocacia,
rebateram Rizk: "Sempre recebi todos os advogados que me procuraram, com atenção e cortesia e, sobretudo, com muito respeito (...) Jamais esqueci e jamais esquecerei minha origem profissional", afirmou Rezende Lima.