Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Novo partido

Parem de xingar Tabata Amaral, car#&*%o!

Deputada federal por São Paulo que ingressou no partido do governador do ES é alvo até de ameaças. Spoiler: não adianta criticar "falsa equivalência" se faz igual

Públicado em 

23 set 2021 às 02:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Governador Renato Casagrande em evento de filiação de Tabata Amaral ao PSB
Governador Renato Casagrande em evento de filiação de Tabata Amaral ao PSB Crédito: Twitter/@casagrande_ES
Atacar pessoas com base em desinformação e teorias da conspiração, com xingamentos e, de preferência, tendo uma mulher como alvo. Eis um resumo da cartilha bolsonarista nas redes e na vida. É curioso que o mesmo método seja utilizado por quem se diz de esquerda.
É isso que ocorre quando o assunto é Tabata Amaral, deputada federal por São Paulo que acaba de se filiar ao PSB, após uma passagem turbulenta pelo PDT. A parlamentar de 27 anos, que se opõe à maioria das pautas do governo federal e “lacrou” para cima do então ministro da Educação, Ricardo Vélez, é atacada dia sim, dia também, vejam só, não por Jair Bolsonaro, mas por detratores do presidente.
O governador Renato Casagrande (PSB) publicou, na última terça-feira (21), uma foto e um texto desejando boas-vindas à nova integrante do partido. Nos comentários, Tabata foi chamada de “traíra”, “neoliberal”, “infiltrada” e outros adjetivos.
Nada que supere postagem feita pelo perfil @addanhoni, agora já deletado, e retuitada pelo ator José de Abreu, em 18 de setembro: “Se eu encontro na rua, soco até ser preso”. Os socos virtuais tinham endereço certo, Tabata Amaral. Abreu tem quase 500 mil seguidores no Twitter.
Sempre que qualquer similaridade entre a esquerda e o bolsonarismo é apontada, “a imprensa”, principalmente se a comparação é feita por uma mulher (que coincidência!), é acusada de “doisladismo”, de tentar igualar coisas que são opostas. Fica aqui uma dica: para evitar que se diga que fazem coisas iguais, é só não fazer coisas iguais.
É lógico que não estou dizendo que a deputada não pode ser criticada. Criticar, no entanto, é uma coisa, ameaçar ou “teorizar” que ela é uma agente a serviço do bilionário Jorge Paulo Lemann é outra.
Para fazer críticas ou mesmo elogiar é preciso se basear em dados da realidade. É algo óbvio, mas o óbvio parece que tirou férias e viajou para fora do Brasil (ainda que com o dólar nas alturas).
Vamos então aos dados da realidade. Tabata votou a favor da Reforma da Previdência, contrariando orientação do PDT.
Considerando as votações até então, em 2019, incluindo a da Previdência, no entanto, a deputada era tão governista quanto o próprio PDT. Foi isso que mostrou o Basômetro, do jornal “O Estado de S. Paulo”, que monitora justamente o governismo dos parlamentares e partidos na Câmara.
“Tabata votou em 41% das vezes em acordo com a orientação da liderança do governo Jair Bolsonaro na Câmara. O PDT (quando se faz uma média dos votos de todos os deputados da legenda), por sua vez, votou 40% a favor do governo”, registrou o Estadão.
O PSB também orientou voto contra a reforma e agora recebe Tabata de braços abertos.
Egressa do movimento RenovaBR, a deputada tem postura similar à do deputado federal Felipe Rigoni, do Espírito Santo. Curiosamente, o parlamentar foi à Justiça para obter o direito de sair do PSB. E conseguiu.
Tabata é uma voz moderada, não entra no Fla-Flu em que se transformou a política brasileira. Logo, desagrada a todos. Parece até a imprensa. Não quer dizer que ela não erre, assim como a imprensa erra.
É acusada de se travestir de esquerda e ser, na verdade, do partido Novo (liberal). No Brasil é comum que se rotule pessoas sem ter informações sobre as pessoas e tampouco sobre o rótulo. É assim que qualquer um vira “comunista”, “neoliberal”, “fascista”. A gosto do freguês.
Pode parecer difícil de acreditar, mas nem todo mundo cabe nesses estereótipos. E há outros rótulos, menos populares, que poderiam às vezes ser empregados.
Vejamos o que diz Pedro Doria, do Meio: “Tabata Amaral não está inventando nada. O social liberalismo tem seus 150, 200 anos. É quase tão antigo quanto o marxismo, quanto o anarquismo. O Estado de bem-estar social, criado nos anos de 1920 e 1930, é fruto de sociais liberais europeus e americanos. A gente não tem uma tradição social liberal no Brasil”.
Doria exemplifica que o governo Barack Obama, nos Estados Unidos, é um representante dessa corrente no partido Democrata. Tabata então é uma liberal de esquerda. Bugou agora, não é?
“Vamos pegar o voto da Tabata a favor da Reforma da Previdência. O governo Lula fez uma Reforma da Previdência que tirou dos servidores públicos a aposentadoria integral. Fez isso logo no primeiro ano para evitar o desgaste eleitoral no fim do mandato. Inúmeros governadores de esquerda fizeram reformas previdenciárias. Quando você pega o Estado e tem de governar os números estão lá. Se você pensa com uma cabeça social liberal, a maneira como a Tabata votou faz todo o sentido porque primeiro você não briga com números”, argumentou.
“Não é como a esquerda atua, de forma tradicional, no Brasil. A não ser que o governo seja de esquerda, a esquerda cerra fileiras contra qualquer reforma da Previdência. Não há nada ilegítimo na maneira como a esquerda tradicional atua. Agora, dizer que Tabata traiu seus eleitores? Então Lula fez o que quando fez a sua reforma? Isso não é argumento.Ela não se compreende como representante de entidades de classe. Ela se compreende como representante dos grupos não representados habitualmente no Congresso”, complementou.
Veja o vídeo de Pedro Doria na íntegra aqui:
O leitor, ou leitora, deve ter reparado que usei aqui informações e afirmações de outras pessoas/fontes. É assim que é ou deve ser. A gente aprende lendo e ouvindo os outros (e dando o devido crédito). Para isso, precisamos estar dispostos. É um preceito básico de algo que anda pouco valorizado: democracia.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Mulher é agredida pelo marido na frente dos filhos em Cariacica
Imagem de destaque
8 saladas especiais para a Páscoa
Imagem de destaque
Irã abate caça dos EUA, e operação americana resgata uma pessoa, diz imprensa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados