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Em 1º de fevereiro

Coronel Ramalho fora do governo: o que está em jogo em Vitória e Vila Velha

Secretário estadual de Segurança Pública vai deixar o cargo em breve "para analisar projetos políticos"

Públicado em 

26 jan 2024 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Coronel Alexandre Ramalho, secretário de Estado de Segurança Pública
Coronel Alexandre Ramalho, secretário estadual de Segurança Pública Crédito: Sesp/Divulgação
Não é de hoje que as pretensões político-eleitorais do secretário estadual de Segurança Pública, o coronel da reserva da Polícia Militar Alexandre Ramalho, são de conhecimento público. Enquanto estiver à frente da pasta, porém, as movimentações do militar ficam limitadas aos bastidores. A partir de 1º de fevereiro, como anunciou o governador Renato Casagrande (PSB) nesta quinta-feira (25), Ramalho vai deixar a administração estadual "para analisar projetos políticos".
Há três possibilidades. O coronel pode disputar a Prefeitura de Vitória, a Prefeitura de Vila Velha ou não se candidatar em 2024. O fato de ter saído do governo sinaliza que uma das duas primeiras é a mais provável.
Para Casagrande e aliados, seria melhor que Ramalho optasse por concorrer contra o prefeito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que não integra o grupo. Em Vila Velha, o governador já tem o compromisso de apoiar a reeleição de Arnaldinho Borgo, que, aliás, é do mesmo partido do secretário de Segurança Pública.
O chefe do Executivo estadual e Ramalho conversaram na semana passada e o diálogo derradeiro deu-se nesta quinta, o que culminou no anúncio da saída do militar do governo.
O socialista, conforme a coluna apurou, deixou claro para o coronel que, em relação à prefeitura canela-verde, vai estar ao lado de Arnaldinho. Assim, se concorrer em Vila Velha, Ramalho vai disputar contra as máquinas municipal e estadual.
Quem esteve com o militar da reserva recentemente, entretanto, avalia que ele está mais animado para concorrer lá mesmo, onde mora e tem domicílio eleitoral.
Além disso, apesar de não contar com o apoio do séquito governista, em Vila Velha ele poderia ter um grupo político para chamar de seu. Em Vitória, o risco seria ficar isolado, disputando filiado ao Podemos. E ainda haveria o peso de ser uma peça na engrenagem para atrapalhar o desempenho de Pazolini, como querem os palacianos.
"Ele não vai ser usado, como em 2022, quando prometeram a ele disputar o Senado e não deram a legenda", avaliou um aliado do coronel.
Na cidade de Arnaldinho Borgo, por outro lado, Ramalho mantém contatos com outras legendas. Teria, obviamente, que sair do partido do prefeito. Já teve conversas, por exemplo, com o deputado federal Da Vitória, presidente estadual do PP.
Em 2022, o militar foi de voto "CasaNaro", optou por declarar apoio a Casagrande para o governo e ao então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), para o Palácio do Planalto.
É de direita e, nas redes sociais, frequentemente faz publicações que dialogam com esse tipo de eleitor.
Além do PP, em Vila Velha ele teria como opções o Republicanos (para o partido de Pazolini, seria uma boa garantir que o militar não concorra em Vitória) e o PL. Afinal, um possível candidato da legenda à prefeitura saiu de cena após ser preso temporariamente, suspeito de praticar o crime de extorsão.
Filiar-se ao PL, contudo, se não configuraria uma guinada ideológica, poderia significar um rompimento com Casagrande, afinal, o partido faz oposição ao governo estadual. 
A coluna também apurou que, na conversa com Casagrande nesta quinta, ficou acordado que Ramalho manteria contato com o chefe do Executivo sobre os passos que pretende dar após sair da gestão. Os dois ainda são aliados.
E OS ELEITORES?
Se a geopolítica partidária poderia favorecer o (ainda) secretário de Segurança Pública em Vila Velha, a disputa por votos já não seria tão tranquila. A avaliação do mercado político é que Arnaldinho está numa posição mais confortável para disputar a reeleição do que Pazolini em Vitória.
O páreo lá, portanto, seria mais duro. 
Enquanto isso, o Podemos, que colocou Ramalho em uma situação delicada em 2022, foi deixado à margem pelo militar.
Integrantes do partido contaram à coluna que o secretário não comunicou a legenda sobre a saída do governo. Foi Casagrande que informou ao prefeito de Vila Velha e ao presidente estadual do partido, Gilson Daniel, antes de fazer o anúncio oficial.
"Ramalho mostra que tem coragem de sair do governo e teria coragem de sair do Podemos, perdendo a vaga de suplente de deputado federal", cravou um aliado do coronel.
Se Casagrande chamasse um dos deputados federais do Podemos — Gilson ou Victor Linhalis — para ocupar uma vaga de secretário estadual, por exemplo, o militar assumiria um mandato na Câmara.
Mas o governador somente mexeria na equipe, e não necessariamente convidaria um deles, após as eleições municipais de 2024.
Outra possibilidade aventada nos bastidores, por pouca gente, é verdade, é a ida de Gilson Daniel para o Tribunal de Contas (TCES) como conselheiro, o que também abriria espaço para Ramalho na Câmara dos Deputados. Isso, porém, foi descartado por fontes palacianas e por deputados estaduais consultados pela coluna.
Como o desejo do coronel sempre foi uma cadeira no Congresso Nacional, ele poderia parar de esperar que um fator externo o levasse até lá e simplesmente não disputar a eleição deste ano, preparando-se para a de 2026, quando duas vagas para o Senado vão estar em disputa.
"Não tem nada decidido. Ele poderia disputar só em 2026 mesmo, tem convites para atuar na iniciativa privada enquanto isso. Achou melhor sair do governo agora para poder conversar mais abertamente com os partidos para definir o que fazer. O cargo de secretário de Segurança o deixava "preso", impedia que ele fizesse isso", comentou um aliado de Ramalho.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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