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Análise

Os altos e baixos do governo Casagrande em 2023

A queda do número de homicídios; a bala perdida que matou um paciente no hospital; o fim do pedágio... Veja a retrospectiva e a análise da coluna

Publicado em 16 de Janeiro de 2024 às 09:55

Públicado em 

16 jan 2024 às 09:55
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Summit 2023
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, em outubro de 2023 Crédito: Carlos Alberto Silva
O ano de 2023 foi o primeiro do terceiro mandato de Renato Casagrande (PSB) à frente do governo do Espírito Santo. Ele não pode tentar a reeleição em 2026, mas quer emplacar o sucessor.
Após vencer uma disputa acirrada em 2022, o socialista tenta se equilibrar entre as forças conservadoras e progressistas do estado e entregar obras e serviços que sirvam como legado.
Em 365 dias, muita coisa aconteceu. Em relação a algumas delas, o governo capixaba reagiu. Outras foram provocadas pela própria gestão.
Em dezembro, durante entrevista na Rádio CBN Vitória, a coluna perguntou ao governador qual foi o melhor e o pior momento da gestão dele em 2023.
"O melhor foi termos começado o governo com velocidade, com R$ 5 bilhões em investimentos (governo e Cesan), com o menor percentual de desemprego da história, com um governo organizado e equilibrado", respondeu.
"O pior é ainda ter a influência da polarização política em tudo. Por mais acertada que seja uma medida tomada pelo governo, se a pessoa não tem identidade com o governo, por alguma razão, ela vai arrumar um jeito de fazer uma crítica. Enfrentar essa intolerância de parte da sociedade é uma das coisas mais desafiadoras", complementou Casagrande.
A coluna, porém, faz aqui uma avaliação própria.
Vamos a uma breve retrospectiva dos altos e baixos do governo Casagrande em 2023:
QUEDA DOS HOMICÍDIOS
Além disso, houve menos de mil homicídios — 978 —, algo que, desde 1996, ocorreu apenas uma vez, em 2019 (987). Assim, 2023 foi o ano com menos homicídios nos últimos 30 anos.
A morte de mais de 900 pessoas, obviamente, não é algo a ser comemorado. Mas a continuidade das políticas públicas que vêm baixando a taxa de homicídios anualmente, como editorial de A Gazeta ressaltou, sim.
AUMENTO DA INSEGURANÇA
Por outro lado, a sensação de insegurança persiste, principalmente em Vitória.
A disputa entre grupos criminosos na cidade é o principal fator para a elevação da estatística.
E 2023 teve ainda um triste episódio. Um paciente foi atingido por uma bala perdida enquanto estava no leito de um hospital na Avenida Leitão da Silva. Ele morreu.
Esse caso, somado a outros, faz com que a população sinta medo.
Os homicídios não são o único indicador de violência. No ano passado aumentaram, por exemplo, os furtos e roubos dentro de ônibus no Espírito Santo.
A segurança pública é um desafio para os próximos anos da gestão de Casagrande.
VIADUTO, AQUAVIÁRIO, CICLOVIA...
Mais sólidas que a redução da criminalidade foram as obras inauguradas pelo governo estadual em 2023.
Já no primeiro ano de mandato, Casagrande entregou o Viaduto de Carapina, o sistema Aquaviário, a ciclovia e a ampliação da Terceira Ponte.
São entregas importantes para a mobilidade urbana e, no caso da ciclovia, para o lazer também.
Pontos positivos para a gestão estadual.
O AUMENTO DO ICMS E O RECUO
Um dos momentos de maior repercussão negativa para a gestão foi quando o governador decidiu aumentar a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), para compensar perdas com a reforma tributária.
Após uma votação apertada na Assembleia Legislativa, em novembro de 2023, a alíquota, em 2024, passaria de 17% para 19,5%.
A medida, claro, foi impopular. Ninguém gosta de aumento de imposto, o que eleva o preço de serviços e mercadorias.
Em dezembro, após mudanças feitas pelo Congresso Nacional na reforma tributária, Casagrande desistiu de aumentar o ICMS.
Enviou novo projeto à Assembleia, que revogou a lei anterior. O recuo foi bem recebido, por exemplo, pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
O PEDÁGIO CAIU
Decisão mais popular foi a de não cobrar mais pedágio na Terceira Ponte e na Rodovia do Sol, após o fim do contrato de concessão das vias.
Afinal, assim como ninguém gosta de aumento de imposto, ninguém gosta de pagar pedágio.
Mas a definição de não fazer uma nova concessão à iniciativa privada e deixar o estado operar diretamente a ponte e a rodovia, entretanto, é controversa.
Há preocupação com a eficiência da manutenção das vias, como editorial de A Gazeta destacou.
Algo que agradou mais ao setor produtivo foi um movimento inverso. Em março de 2023, o governo privatizou a ES Gás.
Cancelas são retiradas do pedágio da Terceira Ponte
Cancelas foram retiradas da praça de pedágio da Terceira Ponte, em Vitória Crédito: Fernando Madeira
CAIS DAS ARTES
É digno de nota que, em 2023, foram retomadas as obras do Cais das Artes, em Vitória, após oito anos de paralisação.
O recomeço somente foi possível devido a um acordo judicial firmado entre a empresa contratada para os trabalhos e o governo estadual.
O complexo cultural deve ficar pronto em janeiro de 2026.
AOS AMIGOS, TUDO
Como a coluna já havia chamado a atenção ao analisar os primeiros cem dias do governo estadual, uma crítica frequente ao governador é a fidelidade dele aos correligionários do PSB e aos aliados.
Isso, a princípio, é uma coisa boa, mas quando o que está em jogo é a eficiência da administração pública, há um problema.
Casagrande nomeou, em março, por exemplo, um ex-diretor de presídio como assessor especial na Casa Civil. O inspetor penitenciário havia sido preso por boca de urna e era investigado por supostamente ter coagido presidiários a votar em determinados candidatos.
Em abril, a nomeação dele na Casa Civil foi anulada.
Também em março de 2023, Casagrande nomeou como assessor especial na Casa Civil um irmão da ex-senadora Rose de Freitas (MDB), que havia sido preso, temporariamente, numa operação da Polícia Federal.
Para completar, o governador pôs a mão no fogo pelo então diretor executivo do Departamento de Edificações e de Rodovias (DER-ES), Luiz César Maretto, que, em abril, foi afastado do cargo pela Justiça Estadual sob suspeita de irregularidades em contratos. foi afastado do cargo pela Justiça Estadual sob suspeita de irregularidades em contratos.
Casagrande, em julho, afirmou à coluna confiar em Maretto e considerar o afastamento "uma injustiça".
Movimento arriscado.
Em novembro, após um acordo com o Ministério Público Estadual, o ex-diretor voltou ao governo, mas em um cargo técnico.
DEMOCRACIA E ARTICULAÇÃO
O jeito "camarada" do governador, contudo, também rendeu bons frutos. Em meio à polarização ideológica que incendiou o país, principalmente, a partir de 2022, Casagrande conseguiu reunir aliados entre os apoiadores locais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do presidente Lula (PT).
Foi graças ao voto "CasaNaro", aliás, que ele venceu o pleito. Desde então, para manter uma base sólida na Assembleia Legislativa, lidar com o empresariado e outros setores da sociedade capixaba, o socialista tem mantido o jogo duplo.
Isso pode soar contraditório, mas o socialista continua sendo um homem de centro-esquerda.
Recentemente, por exemplo, apareceu em público ao lado de Lula, que veio ao estado inaugurar a obra do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra.
O governador também tem se articulado com o governo federal. O Espírito Santo recebeu vários ministros durante o ano passado. O objetivo é que isso ajude a destravar obras e investimentos federais no estado.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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