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Eleições 2022

Casagrande tem até abril para conceder reajuste a servidores

Jair Bolsonaro (PL) já sinalizou que vai dar aumento para policiais federais, o que eleva a pressão sobre governadores em relação às forças policiais estaduais

Publicado em 10 de Janeiro de 2022 às 09:10

Públicado em 

10 jan 2022 às 09:10
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Governador Renato Casagrande visitando a Rádio CBN, na Rede Gazeta, em Vitória
Governador Renato Casagrande já afirmou que vai conceder reajuste a servidores por meio de projeto a ser enviado à Assembleia em fevereiro Crédito: Ricardo Medeiros
Os pleitos por reajuste salarial para o funcionalismo público estadual são recorrentes. Em meio à inflação, que reduz o poder de compra de todos, não apenas dos servidores, reivindicações desse tipo tornam-se ainda mais frequentes. 
Até 31 de dezembro de 2021 o governo do estado estava impedido de conceder aumento salarial, devido à lei 173/202, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). 
O prazo já se encerrou e outra imposição do calendário, desta vez o eleitoral, está chegando: governadores têm até o início de abril –  o que corresponde a seis meses antes da eleição – para conceder reajustes.
Renato Casagrande (PSB) já afirmou que, em fevereiro, deve enviar um projeto de lei à Assembleia Legislativa para tratar do aumento aos servidores, que deve ser superior a 3,5%, mas sem contemplar todas as perdas inflacionárias.
Para os integrantes das forças policiais o percentual vai ser maior. Casagrande, desde a campanha eleitoral de 2018, faz acenos a policiais, em especial os militares: assinou uma anistia aos grevistas de 2017 e mudou a lei de promoções de oficiais, por exemplo. E também já concedeu um reajuste. 
A categoria é majoritariamente bolsonarista. O presidente da República sabe disso e, enquanto é acusado de tentar interferir no trabalho da Polícia Federal,  Bolsonaro abre os cofres para reajustar os salários na PF e na Polícia Rodoviária Federal, em detrimento de outros servidores.
Não é tão diferente de Casagrande que, como já mencionado, afirmou que vai conceder um reajuste maior para policiais. É ano eleitoral.
O socialista, no entanto, pode se frustrar, mais uma vez. Mesmo com a concessão do benefício, é improvável que os policiais, via de regra, virem casagrandistas desde criancinha. A estratégia não funcionou até agora, mesmo após a anistia e outras benesses.
Até mesmo coronéis, que ocupam, portanto, as maiores patentes na PM, estão insatisfeitos. 
Acharam-se no direito de enviar uma carta ao secretário de Segurança Pública, passando por cima do comandante da corporação, queixando-se do abate-teto, um desconto aplicado para impedir que recebam salário superior ao do próprio governador. 
Casagrande, ao menos, já afirmou que não vai ampliar o teto para beneficiar os coronéis, o que levaria a um efeito cascata e à controvérsia jurídica.
O fato é que a movimentação de Bolsonaro em relação aos policiais federais, no que se refere ao reajuste, é mais um fator de pressão sobre os governadores. 
Casagrande tem como conceder o reajuste, tanto que já afirmou que vai fazer isso no mês que vem. Se isso vai pesar na balança eleitoral, são outros quinhentos.
O bolsonarismo raiz, impregnado nas polícias, vai além de dados da realidade. Aliás, na maioria das vezes tem pouco a ver com dados ou qualquer coisa da vida real. É um traço identitário.
Ao menos 22 governadores – 14 deles vão tentar a reeleição – já anunciaram que vão dar aumento salarial a servidores este ano.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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