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Ex-juiz

A pré-campanha de Sergio Moro no Espírito Santo

Os principais defensores locais do ex-juiz são casagrandistas. Moro deve vir ao estado em fevereiro

Publicado em 30 de Dezembro de 2021 às 20:10

Públicado em 

30 dez 2021 às 20:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
O ex-juiz Sérgio Moro
O ex-juiz Sergio Moro lançou-se na disputa pela Presidência da República Crédito: Saulo Rolim | Podemos
O ex-juiz Sergio Moro despontou de Curitiba para o país como o paladino do combate à corrupção enquanto esteve à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba, na qual atuou exclusivamente na Lava Jato. A operação levou à prisão e ao banco dos réus diversos empresários e políticos, entre eles o ex-presidente Lula (PT). Não demorou muito e Moro foi alçado ao superlativo.
Não se fez de rogado ao se ver representado como um boneco gigante inflável, o SuperMoro. E menos ainda ao ser convidado para integrar o governo de Jair Bolsonaro (então filiado ao PSL), que derrotou o petista Fernando Haddad nas urnas em 2018. Moro, assim, deixou a magistratura e entrou na vida política.
Rompido com o presidente, agora quer ser eleito chefe do Executivo federal. Para isso, tem que superar ao mesmo tempo o ex-chefe e o próprio Lula, que está em liberdade e teve as condenações na Lava Jato anuladas.
No Espírito Santo, Moro tem fiéis escudeiros para a tarefa. O coordenador da pré-campanha dele no estado é o ex-prefeito de Viana Gilson Daniel, que preside o Podemos local. O ex-juiz é filiado à legenda. Gilson Daniel integra o primeiro escalão do governo Renato Casagrande (PSB), é secretário de Governo e está de mudança para a pasta de Planejamento. 
Até o início de abril de 2022, o secretário vai sair do governo, pois também é pré-candidato a deputado federal e a legislação determina que ele tem que deixar o cargo para poder concorrer.
Além de coordenar a campanha de Moro no Espírito Santo, Gilson Daniel também é o responsável pela pauta a respeito dos municípios na elaboração do programa do ex-juiz. Ou seja, está com os dois pés fincados na campanha do ex-ministro da Justiça.
Casagrande ainda não disse quem deve apoiar na disputa pela Presidência da República. O PSB nacional está em negociação para fechar parceria com o PT, o que pode ou não ocorrer.
Gilson Daniel já disse que, haja o que houver, o Podemos do Espírito Santo vai estar ao lado de Casagrande, na hipótese, bastante provável, de este tentar a reeleição. Mas como acomodar Moro e o PT de Lula na mesma aliança? Não se trata apenas de um candidato que condenou o outro, há toda uma troca de farpas e adjetivos nada abonadores entre eles. 
"Fazemos a defesa de Moro. Vamos esperar (o desenrolar das alianças nacionais e as repercussões locais). Temos dificuldade na posição com o PT", adiantou Gilson Daniel, à coluna.
A presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, já deixou claro, como também registrado aqui: "Onde Bolsonaro e Moro estiverem, o PT não vai estar".
"Da mesma forma que a Jackeline falou em relação ao Moro, é a nossa mesma dificuldade (em relação a Lula). Tenho muito respeito e muitos amigos no PT, mas não posso fazer essa discussão ainda porque ela não existe", emendou Gilson Daniel.
O que existe é que, além de Gilson Daniel, outro casagrandista cerrou fileiras com o ex-juiz. Trata-se do senador Marcos do Val (Podemos), responsável pela área de segurança pública no projeto de governo do pré-candidato.
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, e o deputado estadual Marcelo Santos, também aliados do governador e filiados ao Podemos, estão juntos nessa. De acordo com Gilson Daniel, Arnandinho ajuda na montagem das chapas proporcionais (para eleger deputados estaduais e federais) do partido e Marcelo auxilia na organização da visita de Moro ao Espírito Santo.
O ex-juiz deve ir a Vila Velha no dia 8 de fevereiro. 
Outro secretário de Casagrande, o titular da pasta de Controle e Transparência, Edmar Camata, é entusiasta da candidatura de Moro à Presidência da República, mas está sem partido e as conversas com o Podemos não avançaram. Camata já afirmou à coluna que gostaria de disputar o Senado e, assim, garantir um palanque local para o ex-ministro.

O MEME JÁ VEM PRONTO

Apesar de, como já mencionado, o ex-juiz ter se aliado a Bolsonaro – e depois ter rompido com ele, acusando o presidente de querer interferir na Polícia Federal –, Moro é apresentado como "não político".
É assim que Gilson Daniel justifica, por exemplo, a falta de traquejo, digamos assim, do ex-juiz em vídeo divulgado no dia 15 de dezembro. Nas imagens, divulgadas pelo próprio Moro no Twitter, há críticas a Lula, na verdade o pré-candidato rebate o petista sobre o escândalo de corrupção na Petrobras.
No vídeo, Moro parece ter dificuldades até para ler, ou decorar, o texto. Fala sem convicção e de forma meio robótica. 
"O Moro não é um político, nunca disputou eleição, é um ex-juiz. Quando me candidatei pela primeira vez não conseguia nem falar em público. Isso é igual andar de bicicleta", minimizou Gilson Daniel.
Moro é cobrado também para discorrer sobre outros assuntos, que não o combate à corrupção, para não ficar monotemático. 
"Ele tem condições de debater qualquer tema", garantiu Gilson Daniel. "Adversários dizem que corrupção é o único tema dele, mas o Podemos tem equipes discutindo todos os temas. Alvaro Dias foi governador do Paraná e é uma das pessoas que orientam o Moro. Eu sou especialista em finanças. Se você me perguntar algo sobre assistência social vou ter dificuldade de falar. É normal, você tem que ter uma equipe", complementou.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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