Derrotado em 2018, o ex-senador Magno Malta (PL) deve tentar voltar à cadeira. Na planície e sem cargo no governo, ele está de volta às graças do presidente Jair Bolsonaro, que até se filiou ao PL, e tem andado para cima e para baixo com o presidente da República.
Presidente estadual do PP, Marcus Vicente diz que esteve com Evair há poucos dias e ouviu do deputado que ele vai concorrer à reeleição e que, no partido, não há essa conversa de tentar o Senado.
A sigla integra a base de apoio ao governador Renato Casagrande (PSB). Se fosse lançar um nome, isso teria que estar alinhavado com o chefe do Palácio Anchieta.
"Estamos 100% fechados com o governador Renato Casagrande. Ciro Nogueira confirmou isso. Ele não está no exercício (da presidência nacional do partido) porque é ministro de Estado, mas confirmou que o compromisso firmado no Espírito Santo está referendado", afirmou Marcus Vicente.
Marcus Vicente integra o governo Casagrande, é secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano.
O Republicanos, este distante da base de apoio a Casagrande, tem dois nomes que podem disputar o Senado. Obviamente, o partido vai lançar apenas um deles, se realmente entrar na corrida: o deputado federal Amaro Neto e o ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, já afirmou que a preferência é para que Amaro tente a reeleição. A expectativa é que ele alcance votos suficientes para "puxar" mais um nome da legenda para a Câmara. Isso deixaria o caminho livre para Meneguelli, mas, como o próprio Amaro destacou, pode ser que o partido não tenha candidato ao Senado.
Em 2018, ele quase concorreu à vaga, mas desistiu. Foi reeleito deputado estadual e sagrou-se o mais votado para a Assembleia Legislativa.
No PT, o ex-reitor da Ufes Reinaldo Centoducatte é pré-candidato ao Senado.
Outro que se movimenta é o subtenente Assis. Ele foi candidato ao Senado em 2018, pelo PSL, mas não se elegeu. Como é militar da ativa do Corpo de Bombeiros não pode ser filiado a partido, mas está próximo do PTB, sigla pela qual deve disputar a cadeira mais uma vez este ano.
O Brasil 35 (novo nome do Partido da Mulher Brasileira) também tem um pré-candidato ao Senado, Idalecio Carone.
Há ainda Rose de Freitas, que pode tentar a reeleição. É a vaga ocupada por ela que vai estar em disputa.
Outros nomes podem surgir e alguns dos aqui citados podem ficar pelo caminho.
Especula-se que o ex-governador Paulo Hartung (sem partido) concorra ao Senado pelo PSD, mas enquanto analisa o cenário nacional, Hartung nada diz sobre o pleito local.
Quem for eleito, ou eleita, vai ficar no cargo por oito anos, com um salário de R$ 33.763,00.
O Senado é composto por 81 membros, três de cada estado. Em uma eleição geral, um terço das cadeiras é renovado; na outra, os outros dois terços.
No ano em que apenas uma vaga em cada estado é aberta, como em 2022, o pleito, obviamente, é mais acirrado.
Uma campanha de candidato a senador não é coisa trivial. Para se ter uma ideia, em 2018, Fabiano Contarato (eleito pela Rede), obteve mais votos que o governador Casagrande. O socialista alcançou 1.072.224 votos e Contarato, 1.117.036.
Naquele ano, um sentimento de renovação ganhou força na reta final, impulsionando Contarato e Marcos do Val (eleito pelo Cidadania).
Quem quer um lugar no Senado precisa mais do que querer e contar com a sorte. Para "vingar" como candidato já é difícil. A posição é normalmente negociada entre partidos aliados.
Atualmente, o Senado tem sido o principal foco de resistência ao governo Bolsonaro que, por meio da concessão de emendas e da parceria com o Centrão, tem um cenário mais favorável na Câmara dos Deputados.
O Senado protagonizou, por exemplo, a CPI da Covid, que resultou na abertura de 12 inquéritos no Ministério Público Federal para apurar irregularidades na condução do combate à pandemia.
Não é coincidência que uma das metas de Bolsonaro seja emplacar aliados lá. O presidente pretende tentar a reeleição e, na hipótese de ser bem-sucedido, quer encontrar um terreno mais amigável na Casa em 2023.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, também como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 até 2021, quando assumiu a coluna Letícia Gonçalves.