As consequências do apoio de aliados de Casagrande a adversários do governador
Eleições 2024
As consequências do apoio de aliados de Casagrande a adversários do governador
A eleição municipal nem sempre repete o leque de alianças que sustenta o governo estadual. Como isso pode afetar as relações dos políticos locais com o Palácio Anchieta? E as eleições de 2026?
Governador Renato Casagrande na inauguração da reforma dos armazéns do Porto de Vitória, na quarta-feira (12). Foi lá que ele conversou com a colunaCrédito: Carlos Alberto Silva
O governador Renato Casagrande (PSB) foi reeleito, em 2022, graças a uma ampla aliança. A coligação foi formada por 11 partidos, entre eles o PT do presidente Lula e o bolsonarista PP. Esse grupo segue na base governista, mas se divide quando o assunto são as eleições municipais, de 2024. Isso é absolutamente normal, uma vez que cada cidade tem suas próprias lideranças e um histórico particular.
Quando, entretanto, políticos eminentemente casagrandistas apoiam pré-candidatos a prefeito de outro espectro, a coisa fica mais complicada.
O Republicanos, por exemplo, tem crescido no Espírito Santo e faz isso independentemente do Palácio Anchieta, por vezes até como oposição, a exemplo do que fez o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), nos dois primeiros anos de mandato.
O PP, apesar de integrar o secretariado de Casagrande, vai endossar a reeleição de Pazolini.
Como Casagrande vai reagir a essas movimentações? O próprio governador respondeu à coluna:
"Os partidos têm o direito de seguir seus caminhos. Não temos intenção nenhuma de fazer ruptura com os partidos, mas nós lideraremos um projeto em 2026. Vamos ter candidaturas ao governo, ao Senado, para as bancadas estadual e federal... Então, vai depender muito de para onde os partidos vão apontar, não apenas o PP. Mas, neste momento, temos respeito, mesmo não concordando".
A menção do governador a 2026 é a chave.
Daqui a dois anos, Casagrande não vai ser candidato ao governo. Pode, talvez, concorrer ao Senado. O fato de ele não estar mais no protagonismo da disputa pelo Palácio Anchieta já é, por si só, um fator desagregador da atual aliança.
Há possíveis pré-candidatos à chefia do Executivo estadual no MDB (o vice-governador, Ricardo Ferraço), no PT (o deputado federal Helder Salomão) e no Podemos (o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo).
Mas os outros grupos políticos também se movimentam. Se Pazolini se reeleger em Vitória, o Republicanos deve colocá-lo no páreo na corrida pelo Palácio Anchieta. As eleições de 2024, portanto, são importantes para definir o futuro da gestão do estado.
"Não podemos transformar a eleição municipal num ambiente de briga, que atrapalhe a gestão do governo do Estado ou nossa relação com a Assembleia. Mas cada um vai arcar com as suas consequências"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
Eita. Quais consequências?
"Quando você fortalece lideranças que fazem oposição ao projeto que eu lidero, isso, naturalmente, é um sinal ruim", respondeu o governador. Sim, é um sinal ruim na percepção do próprio governador, mas voltemos às consequências.
"Hoje, o estado num caminho bom, né? Um estado que tem capacidade de investimento, que tem capacidade dialogar com todo mundo... Quando você enfraquece esse movimento, pode estar criando outras alternativas que a gente não sabe se serão boas para o nosso estado", complementou Casagrande.
O governador Renato Casagrande e o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, na inauguração da reforma dos armazéns do Porto de Vitória. O clima entre os dois foi cordialCrédito: Carlos Alberto Silva
Ou seja, as consequências, de acordo com o socialista, vão ser sentidas pela população do Espírito Santo. É um discurso comum de quem está no poder classificar a oposição ou forças políticas alternativas como ameaça ao legado construído até então.
Às vezes, isso é verdade mesmo. Às vezes, é só discurso. Cabe aos eleitores, em 2024 e 2026, decidir qual grupo vai sair fortalecido e quais representam avanços ou retrocessos.
Por enquanto, o governador faz bem, pelos próprios cálculos políticos, ao observar para onde pendem os aliados.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.