Arnaldinho Borgo em janeiro de 2025, ao tomar posse no segundo mandato como prefeito de Vila VelhaCrédito: Carlos Alberto Silva
Ao conceder entrevista para a coluna, no último dia 20, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), além de afirmar abertamente estar decidido a disputar o governo do Espírito Santo, elencou os partidos com os quais tem conversado para viabilizar tal candidatura.
A principal aposta é o PSD, mas ele citou também o PRD e o Novo. Na terça-feira (3), o prefeito se reuniu com o presidente nacional do PRD, Marcus Vinícius de Vasconcelos Ferreira, na sede do partido, no Rio de Janeiro.
O presidente da Câmara de Vila Velha, Osvaldo Maturano (PRD), participou do encontro.
"Não foi uma conversa sobre filiação (de Arnaldinho ao PRD), ele quer ajudar a fortalecer o partido no estado. Um candidato a governador precisa do apoio de vários partidos. Arnaldinho tem um histórico de ajudar a montar chapas (de candidatos a deputado estadual e federal)", contou Maturano.
Um aliado do prefeito de Vila Velha avalia que o PRD não teria musculatura suficiente para impulsionar uma candidatura ao Palácio Anchieta. É uma sigla nanica, não tem significativos tempo de exibição no horário eleitoral gratuito e recursos para campanha.
Assim, o objetivo não seria Arnaldinho se filiar. Mas o partido poderia reforçar o palanque de 2026.
Existe, entretanto, a possibilidade de o PRD formar uma federação com o Solidariedade, outra legenda sem muita expressão, mas a parceria tornaria a sigla mais atraente.
Além disso, pode ser que Arnaldinho fique sem opções melhores.
Arnaldinho (com o celular na mão) durante reunião com aliados e integrantes do PRD, no RioCrédito: Instagram/@prd25_rj
No Espírito Santo, o PRD já esteve sob a influência do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), quando uma aliada dele, Joelma Costalonga, era a presidente estadual.
Marcelo já declarou apoio ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Palácio Anchieta.
Desde fevereiro, porém, quem comanda o PRD no estado é Bruno Lourenço de Souza, que foi vice do ex-deputado federal Carlos Manato (PL) na eleição de 2022, quando o ex-parlamentar concorreu ao Palácio Anchieta.
Em relação ao Novo, o presidente estadual do partido, Iuri Aguiar, afirmou à coluna, nesta quarta-feira (4), que a sigla tem uma "ótima relação" com o prefeito de Vila Velha, mas não há tratativas envolvendo uma eventual filiação.
O Novo é aliado do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), outro que quer ser candidato ao governo do Espírito Santo.
A APOSTA NO PSD
O PSD, sim, é outra história, tem tamanho robusto. Presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, o partido proporcionaria a Arnaldinho espaço na TV e no rádio e dinheiro do fundo eleitoral para campanha.
O prefeito já esteve com Kassab e afirmou à coluna que gostaria não apenas de se filiar, mas de presidir a sigla no estado.
Um aliado dele, contudo, flexibiliza essa condição e avalia que seria possível Arnaldinho ingressar no PSD e disputar o Palácio, mesmo que a presidência do partido continue com o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos.
O prefeito teria que equilibrar pratos no ar para ficar, ao mesmo tempo, ao lado do governador e do ex-mandatário.
Lideranças políticas locais acreditam que a ida de Arnaldinho para o PSD é improvável, mas uma pessoa próxima ao prefeito garante que ele não desistiu.
A OFENSIVA DE RICARDO FERRAÇO
Essas movimentações ocorrem no momento em que Ricardo ganha pontos no tabuleiro político-partidário-eleitoral.
E conta com declarações públicas de apoio do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB).
Arnaldinho está sem partido desde o final de março, quando saiu do Podemos, partido que, aliás, aliou-se a Ricardo.
O prefeito corre contra o tempo para montar um palanque para chamar de seu. O calendário eleitoral está distante, a eleição de 2026 vai ser realizada daqui a mais de um ano, mas os outros jogadores não estão parados.
A coluna procurou o prefeito, por meio da assessoria de imprensa, nesta quarta, mas ele não se manifestou sobre as tratativas com o PRD e com o Novo.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, também como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 até 2021, quando assumiu a coluna Letícia Gonçalves.