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A tropa de Manato para espantar o "medo" dos empresários

Candidato do PL apresentou alguns nomes que vão compor o secretariado, se eleito, e rebateu críticas do adversário Renato Casagrande

Vitória
Publicado em 18/10/2022 às 02h10
Carlos Manato no evento Diálogo com o Setor Produtivo
Carlos Manato no evento Diálogo com o Setor Produtivo. Crédito: Alexandre Mendonça

Manato não chegou para brincadeira ao evento Diálogo com o Setor Produtivo, realizado pelo Fórum de Entidades e Federações (FEF), nesta segunda-feira (27). Embora, na prática, tenha feito vários gracejos, o candidato do PL ao governo do Espírito Santo montou uma estratégia e não foi sozinho.

Além da equipe de campanha, o ex-secretário da Fazenda de Vitória Aridelmo Teixeira (Novo) o acompanhou e sentou na primeira fila. O mesmo vale para o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos. O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD) também se fez presente.

A plateia estava repleta de empresários representantes de boa parcela do PIB do estado. Aridelmo já presidiu a ONG Espírito Santo em Ação, que congrega o segmento, e foi anunciado como futuro secretário da Fazenda de Manato, se este vencer o pleito.

Ao lado do candidato estava também João Luiz Lani, pós-doutor em Agronomia, escolhido para comandar a pasta de Meio Ambiente. Manato ainda anunciou que João Eudes Bezerra Filho, doutor em contabilidade e administração e auditor de controle externo do Tribunal de Contas de Pernambuco, compõe o Conselho de Transição.

Outros aliados, como o deputado estadual Capitão Assumção e o senador eleito Magno Malta, ambos do PL, além do Tenente Assis, que foi candidato a deputado federal pelo PTB, não compareceram.

Por diversas vezes, o candidato do PL frisou que os empresários não têm motivo para ter "medo" dele. "Não sei do que vocês têm medo" / "Não fica com medo não" / "Querem botar medo nos empresários"/ "Vocês conhecem essas pessoas (Aridelmo, Lani, Audifax, Guerino)? Elas não são boas? Estão com medo de quê?".

Ele, por ordem de sorteio, foi o primeiro a falar. Em seguida, e separadamente, subiria ao tablado o adversário Renato Casagrande (PSB).

Assim, Manato antecipou-se a possíveis críticas do socialista e desferiu os próprios golpes no concorrente.

Performático, Manato repetiu o que havia dito à coluna, que "mudou" após o segundo turno e está mais educado e "carinhoso".

Foi aplaudido pela plateia, em parte formada por uma claque levada ao evento pelo candidato, mas também empolgando empresários, por diversas vezes. Principalmente ao mencionar "os vermelhos".

"Os vermelhos querem obrigar todo mundo a ficar dentro da escola", afirmou, ao comentar que, num eventual governo dele, professores não vão ter que planejar aulas dentro das unidades de ensino, vão poder fazer isso em casa.

"O vermelho quer o parque em Pedra Azul e mais dez quilômetros de amortecimento", disse, em outro momento, ao ser questionado sobre propostas para o Meio Ambiente.

"Não. Deixa o empresário trabahar. Adoro parque, mas o parque fica dentro do parque."

Em resumo, ele quer reduzir a área de proteção ambiental no entorno de parques estaduais. A proteção é uma obrigação legal. "Nós vamos trabalhar para diminuir. Vamos atrás disso. A legislação é muito rígida, não tem compensação ambiental. Para abrir uma oficina mecânica lá em Alto do Caxixe (localidade de Venda Nova do Imigrante) você não consegue. Temos que diminuir, responsavelmente (a proteção ambiental)", explicou, depois, à coluna.

Com as menções a "vermelho" ele se refere a integrantes da esquerda que, majoritariamente, estão ao lado do atual governador.

"Todo dia é uma lei nova e um fiscal perturbando. Se o Estado não atrapalhar, o empresário voa", complementou.

Manato também se adiantou a uma possível afirmação de Casagrande de que o candidato do PL integrou o crime organizado. A campanha do socialista tem lembrado a todo momento que o adversário foi associado à Scuderie Le Cocq, um grupo de extermínio famoso na década de 1990.

"Eu fazia filantropia (na Le Cocq). Quem é do crime organizado? Quem trouxe presidente de banco que foi preso no dia seguinte? Quem é do crime organizado, eu ou ele (Casagrande)? Quem botou secretário da Fazenda que foi preso? Quem foi preso por causa do álcool gel, eu ou ele?", provocou.

O ex-secretário da Fazenda do governo Casagrande foi preso, quando já havia deixado o cargo, por suspeita de participação em fraude fiscal. Em outro momento, o então subsecretário de Agricultura foi alvo de uma operação e exonerado por supostas irregularidades na compra de álcool gel.

Em seguida, a mediadora do evento pediu foco em propostas e não em ataques. "Não vou atacar ninguém, não", respondeu Manato.

O candidato do PL garantiu que sua equipe de governo, caso eleito, vai ser formada por pessoas técnicas e não por indicados políticos. Guerino e Audifax, que disputaram o governo e agora estão no palanque de Manato, por enquanto, apenas ajudam na campanha.

Ele não descartou que os dois possam assumir postos na administração estadual futuramente, "porque também são técnicos".

Entre as propostas, o candidato reforçou que pretende criar uma polícia rural e uma polícia de divisas; usar 10% dos recursos do Fundo Soberano para a área social e mudar o conselho que rege o fundo que, segundo ele, é formado "por sete amigos do homem" (Casagrande); criar uma subsecretaria para cuidar de obras paradas e "botar um coronel no Detran".

Chamou Aridelmo, por diversas vezes de "Guedinho", em referência ao ministro da Economia, Paulo Guedes. "O meu Guedinho você não vai ver ele preso".

Manato reforçou o vículo com o presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputa a reeleição. Questionado como seria a relação com Lula (PT), se este for eleito para comandar o Palácio do Planalto, disse que vai "respeitar o resultado das urnas e tocar o estado".

Antes do discurso aos empresários, um assessor do candidato distribuiu à plateia um "manifesto ao povo capixaba", em que Manato se compromete a manter o equilíbrio fiscal, dar continuidade a obras iniciadas pela atual gestão, dar segurança jurídica a contratos vigentes, a montar equipe pelo critério de meritocracia, entre outros pontos.

"MAIS CALMO"

O postulante ao Palácio Anchieta tentou mudar as regras do evento, queria falar por mais tempo, além dos cinco minutos para cada resposta, e levar parte dos aliados, como Aridelmo, ao tablado. Como as regras haviam sido combinadas previamente com as equipes dos dois candidatos, a organização não autorizou a alteração.

O vice na chapa poderia falar, ao final. Mas Bruno Lourenço (PTB) não integrava a comitiva.

Em diversos momentos, Manato dirigiu-se à esposa, a deputada federal não reeleita Soraya Manato (PTB), a quem chama de "lora", para que ela atestasse que, no segundo turno, ele está "mais calmo".

Também provocou a plateia para que se insurgisse contra Casagrande quando fosse a vez de o socialista falar.

"Quando ele vier aqui dizer que não tem diálogo (da parte de Manato), quero ver se vocês vão ter coragem de dizer que eu fui aos sindicatos, às federações de vocês. Não podemos ser covardes, quero ver se alguém vai levantar", exortou.

Um "espião" de Casagrande, uma pessoa que integra a campanha, estava lá e ouviu tudo. Casagrande chegou já sabendo o que o adversário havia dito.

E inseriu, no discurso sobre propostas, respostas às críticas do candidato do PL.

O FEF, que realizou o evento, é formado por ES em Ação, Federação da Agricultura e Pecuária (Faes), Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), Federação das Indústrias (Findes) e Federação dos Transportes (Fetransportes).

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