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Nova federação

A parceria que pode dar um nó na política do Espírito Santo

Os partidos de Ricardo Ferraço e de Lorenzo Pazolini conversam, nacionalmente, para formar uma federação. Isso uniria as duas siglas também no estado. Mas o vice-governador e o prefeito de Vitória são adversários políticos

Publicado em 08 de Maio de 2025 às 03:15

Públicado em 

08 mai 2025 às 03:15
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

O vice-governador Ricardo Ferraço e o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini
O vice-governador Ricardo Ferraço e o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini Crédito: Ricardo Medeiros e TV Gazeta/Reprodução
O MDB, do vice-governador Ricardo Ferraço, e o Republicanos, do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, podem formar uma federação. Os presidentes nacionais dos dois partidos, Baleia Rossi e Marcos Pereira, respectivamente, reuniram-se na terça-feira (6), pela segunda vez, para tratar do assunto.
Se a parceria se consolidar, as siglas vão continuar existindo individualmente, mas, no Congresso Nacional e nas eleições de 2026, seriam como uma só. Assim, poderiam ter, juntas, apenas um candidato ao governo do Espírito Santo.
Isso daria um nó na política capixaba. Ricardo é o nome a ser lançado ao Palácio Anchieta pelo grupo do governo Renato Casagrande (PSB). Pazolini, o do campo oposto. 
Federações, entretanto, são seladas pelas cúpulas nacionais dos partidos, muitas vezes passando por cima de interesses e querelas regionais.
"Este é o nosso segundo encontro, não por acaso, mas porque compartilhamos propostas importantes para o Brasil e uma visão comum de compromisso com a boa política", publicou Marcos Pereira, no Instagram, ao lado de Baleia Rossi, em um clima cordial, na terça.
A recém-anunciada superfederação entre PP e União Brasil, que vai transformá-los na principal força no Congresso, impulsionou outras parcerias. Seria uma forma de tentar equilibrar o jogo.
Cada vez mais partidos têm feito federações ou mesmo fusões e incorporações. 
É uma questão de sobrevivência. As parcerias aumentam as chances de receber votos na eleição de deputados federais, que é o principal balizador da distribuição de recursos dos fundos partidário e eleitoral. 
MDB e Republicanos são partidos de centro e centro-direita. Ideologicamente, não haveria muitos entraves para a parceria. 
Mas os emedebistas são mais próximos do governo Lula que os republicanos, embora os dois partidos tenham ministérios na administração federal.
As siglas já tentaram se associar a outras recentemente, sem sucesso. 
Então as conversas entre Pereira e Baleia não necessariamente vão resultar em uma federação.
Mas isso não nos impede de especular quais seriam os possíveis impactos em terras capixabas.
O PONTO-CHAVE
Normalmente, o número de deputados federais é o critério utilizado para definir quem vai presidir uma federação em cada estado. No Espírito Santo, o Republicanos tem dois e o MDB, nenhum.
É um indicativo de que, por aqui, o principal beneficiado com a federação seria o partido de Pazolini.
O Republicanos, no controle da federação, poderia dar as cartas, apostar todas elas no prefeito de Vitória, limar a candidatura de Ricardo e ser turbinado com o reforço do MDB, traduzido em mais recursos do fundo eleitoral e tempo de exibição na TV e no rádio para pedir votos.
Isso, claro, se os rumos das eleições de 2026 no Espírito Santo fossem definidos apenas pelo comando estadual. Mas ordens "de cima" podem embaralhar ainda mais o cenário.
O QUE ESTÁ EM JOGO PARA O MDB
Ricardo é presidente do MDB no Espírito Santo desde outubro de 2023. A legenda, desde 2018, quando o então governador Paulo Hartung se desfiliou, entrou em declínio por essas bandas e passou por disputas internas constantes.
A situação melhorou, mas o MDB já viveu dias melhores no Espírito Santo.
O partido, que chegou a ter sete deputados estaduais, hoje não tem nenhum. Também não tem deputado federal na bancada capixaba e perdeu, após o pleito de 2022, a cadeira no Senado que era ocupada por Rose de Freitas. Ela foi derrotada por Magno Malta (PL).
Em 2024, o MDB lançou 13 candidatos a prefeito em municípios do Espírito Santo. Elegeu seis, dois a menos do que conquistou em 2020.
O destaque vai para Cariacica, onde Euclério Sampaio foi reeleito no primeiro turno, com expressivos 88,41% dos votos. 
Euclério, porém, não é um quadro orgânico do MDB. Até topou, em fevereiro de 2025, presidir o União Brasil no Espírito Santo.
Após o anúncio da federação entre PP e União, a ida de Euclério para lá tornou-se incerta, já que, no estado, o PP, presidido pelo deputado federal Da Vitória, é que vai concentrar o poder.
Mais um exemplo de como um arranjo feito em Brasília afeta os destinos de políticos locais.
O MDB tem capilaridade, é o partido com mais filiados em todo o país, 2.083.619, e no Espírito Santo, com 36.359 (dados de outubro de 2024, do Tribunal Superior Eleitoral).
Mas o que vale na hora do que realmente importa — distribuição de dinheiro dos fundos partidário e eleitoral, de tempo de exibição no horário eleitoral e de espaços de poder no Congresso — não é o número de filiados e sim o tamanho da bancada.
Assim, os emedebistas buscam reforço. 
Apesar do potencial revés nos planos de lançar candidato ao governo do Espírito Santo, o partido poderia, ao lado do Republicanos, finalmente renascer das cinzas no estado.
Na hipótese de o MDB-ES ser sobrepujado pelo Republicanos devido à federação, Ricardo poderia se abrigar em outro partido aliado para garantir a candidatura ao governo.
O Podemos, por exemplo, já declarou apoio ao vice-governador. Lembrando que aqui estamos apenas especulando.
O QUE ESTÁ EM JOGO PARA O REPUBLICANOS
O Republicanos ganhou relevância nos últimos anos no Espírito Santo, principalmente, devido à eleição de Lorenzo Pazolini como prefeito de Vitória, em 2020. 
E se fortaleceu com a reeleição deste, em 2024, já no primeiro turno.
A sigla sonha alto. Ainda no início do segundo mandato no Executivo municipal, Pazolini passou a se movimentar de olho no Palácio Anchieta.
Em 2024, o Republicanos elegeu 8 prefeitos no estado, contando com o da Capital. Mas já sofreu baixas. 
Ao menos três se desfiliaram, justamente para demonstrar apoio ao grupo de Casagrande e contrariedade em relação às pretensões do prefeito de Vitória. 
Nacionalmente, o Republicanos integra o chamado Centrão, tem um pé no governo Lula e, ao mesmo tempo, flerta com a oposição.
No estado, congrega, principalmente, políticos de centro-direita. Tem dois deputados federais: Amaro Neto e Messias Donato. 
E cinco estaduais: Alcântaro Filho, Bispo Alves, Hudson Leal, Pablo Muribeca e Sergio Meneguelli. É a maior bancada da Assembleia Legislativa.
A parceria com o MDB deixaria o Republicanos mais robusto e menos vulnerável nos municípios, onde os emedebistas, tradicionalmente, têm mais inserção.
Mas a principal vantagem seria o reforço no caixa, com recursos dos fundos públicos, e a possibilidade de consolidar Pazolini como candidato ao Palácio.
Isso se o tiro não sair pela culatra.
O QUE ESTÁ EM JOGO PARA CASAGRANDE
Uma eventual federação entre MDB e Republicanos, em tese, tiraria o MDB da base de apoio ao governador Renato Casagrande, considerando que o partido de Pazolini teria mais peso nas decisões na federação estadual. 
O governador, contudo, também poderia transformar o risco em oportunidade e se articular, em Brasília, para reverter o jogo. Isso seria limar, via federação, a candidatura do prefeito de Vitória e garantir espaço para Ricardo disputar o Palácio pelo MDB.
O vice-governador disse à coluna, em abril, que tem o apoio de Baleia Rossi para concorrer. E, nacionalmente, a balança de poder entre Republicanos e MDB deve ser mais equilibrada. 
Mas o Republicanos nacional também apoia o lançamento de Pazolini ao governo capixaba.
Eis uma trama intrincada.
A coluna tentou contato com Ricardo Ferraço e com Erick Musso, presidente estadual do Republicanos, mas não houve retorno até a publicação deste texto.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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