Antes disso, Moro, sem pudores, abandonou a magistratura e ingressou no governo
Jair Bolsonaro (sem partido) e de lá também saiu, acusando o presidente de tentar interferir, por razões nada republicanas, na Polícia Federal.
"Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha, chega de orçamento secreto. Chega de querer levar vantagem em tudo e enganar o povo brasileiro", discursou o ex-juiz nesta quarta, em referência a malfeitos de petistas e bolsonaristas.
O Podemos é um partido identificado com a Lava Jato, na qual Moro atuou, embora abrigue, em âmbito nacional, pessoas que foram alvo da própria operação.
No Espírito Santo, a legenda é presidida pelo secretário de estado de Governo da gestão
Renato Casagrande (PSB), Gilson Daniel.
Este, por sua vez, é pré-candidato a deputado federal e aliado de primeira hora, obviamente, de Casagrande.
Questionado pela coluna, ainda em setembro, sobre como o partido iria se posicionar caso Moro disputasse a Presidência da República e Casagrande apoiasse outro presidenciável – o que é provável –, Gilson Daniel afirmou, na ocasião, que não haveria problema algum: o Podemos faria palanque para Moro. O governador, a quem lhe aprouvesse.
De acordo com o secretário de Governo, de qualquer forma a aliança entre o partido e o governador estaria mantida.
Desde então, Gilson Daniel não falou mais com a coluna. Nesta quarta, como mostram registros no Instagram, ele esteve no evento de filiação de Moro.
Para garantir um palanque para o ex-juiz no Espírito Santo, o Podemos cogita lançar um candidato ao Senado.
O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, no entanto, citou Camata como possível candidato a deputado federal pelo partido socialista em 2022, se este aceitasse repetir a empreitada.
A corrida pelo Senado no ano que vem vai ser mais acirrada do que na eleição passada, que destronou Ricardo Ferraço (PSDB) e Magno Malta (PL) e alçou
Fabiano Contarato (Rede) e
Marcos do Val (Podemos).
Isso porque vai haver apenas uma cadeira disponível, a que hoje é ocupada por
Rose de Freitas (MDB).
O governador torce para que um candidato da terceira via, na qual Moro se insere, consiga se viabilizar. Dividir palanque com Lula num estado em que o sentimento antipetista é forte não seria bom negócio para Casagrande.
Assim, ainda que PT e PSB formalizem uma aliança, é improvável que o governador apareça na campanha – supondo que tente a reeleição – levantando o braço do ex-presidente e dizendo: "Votem nele, pessoal".
Até o PSDB pode acabar apoiando a reeleição de Casagrande. Os tucanos devem lançar um nome ao Palácio do Planalto, a ser definido em prévias (uma eleição interna) no próximo dia 21. A escolha se dá, na prática, entre o governador de São Paulo,
João Doria (PSDB) e o do Rio Grande do Sul,
Eduardo Leite (PSDB).