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Leonel Ximenes

Você sabia que hoje é o "Dia do Vira-Lata"? Comemore adotando um

No Espírito Santo uma rede imensa de voluntários e ONGs cuida de animais abandonados para que sejam recuperados e encaminhados para adoção

Publicado em 31 de Julho de 2020 às 16:56

Públicado em 

31 jul 2020 às 16:56
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
A protetora de animais Aline com Rag: ela tem sete gatos e dois cachorros
Aline com Rag: ela tem sete gatos e dois cachorros Crédito: Reprodução do Instagram
Muita gente não sabe, mas hoje, 31 de julho, é o Dia do Vira-Latas. Sim, os cães também conhecidos como de “raça indefinida” fizeram por merecer uma data só para eles, o que é muito justo. No Espírito Santo, uma rede imensa de voluntários e ONGs cuida não apenas de cães, mas de gatinhos que são abandonados nas vias públicas.
Esses benfeitores, do alto da sua experiência com essas doces criaturas, fazem um apelo: se possível, em vez de comprar animais domésticos, procure adotá-los. Mas, eles alertam: se resolver ficar com eles, é preciso que a adoção seja responsável, afinal, pets não são brinquedos.
“Adotar é um ato de amor e exige também responsabilidade. Buscamos conscientizar o adotante sobre a seriedade de ser responsável por uma vida que não é descartável e necessita de cuidados, dedicação e amor”, adverte Aline Sanches, que mantém no Instagram a página “Feirinha Pet”. Ela, junto com a amiga Juliana Palmeira, presta assistência direta a 22 animais, em Vitória e Vila Velha.
A protetora de animais Juliana com o seu cão Snop, adotado há quatro anos
Juliana com o seu cão Snop, adotado há quatro anos Crédito: Reprodução do Instagram
Juliana tem um cãozinho de nome Snop, adotado há quatro anos. Aline, por sua vez, é dona de sete gatos (Rag, Bolt, Ollie, Mila, Valentina, Iris e Boris) e dois cães, Anakin e Luke, todos resgatados das ruas e adotados.
No caso de gatinhos, Aline explica que se deve buscar conversar com o adotante sobre a importância de os felinos viverem em ambientes seguros, com redes de proteção e sem acesso aos perigos da rua.
“Não há satisfação maior do que tirar um animal das ruas, às vezes doente, e ele ser adotado por uma boa família. Nossa luta é diária para fazer com que a adoção seja a escolha das pessoas e assim mudem o destino de um bichinho que muitas vezes já conheceu a fome, o frio e a maldade humana”, ensina.
Projetos, ONGs, grupos e protetores independentes buscam apoio de pessoas e empresas para continuar ajudando esses animais necessitados e recorrem à venda de rifas, doações e divulgações para oferecer bem-estar aos animais. Alguns deles se tornaram famosos em todo o país.
Por falar em celebridade, quem nunca viu um cão da cor caramelo pelas ruas do país afora? É o caso desse vira-lata típico que apareceu com força nas redes sociais nos últimos dias. Milhares de internautas estão sugerindo a imagem dele para ilustrar a cédula de R$ 200 que será lançada pelo Banco Central brevemente. O BC anunciou, entretanto que a nota terá como personagem o lobo-guará.
O meme da nota de R$ 200 com a imagem de uma vira-lata caramelo
O meme da nota de R$ 200 com a imagem de um vira-lata da cor caramelo Crédito: Reprodução da internet
Mas um deputado mineiro não se deu por vencido. Líder do Patriotas na Câmara Federal, Fred Costa lançou nesta quinta-feira (30) em seus perfis nas redes sociais uma campanha para que o cão caramelo seja o novo símbolo da nota. Defensor da causa animal, ele divulgou um link de um abaixo-assinado on-line em favor do cão que está protagonizando vários memes.
Mesmo que não estejam na futura cédula de Real, os animais não perdem o seu valor, principalmente o afetivo. Afinal, de carinho é o que os mais frágeis e abandonados mais necessitam.

Vítimas da pandemia além das estatísticas

O cachorro é o mais fiel amigo do ser humano – a recíproca nem sempre verdadeira -, inclusive no infortúnio. Aos já conhecidos e suficientemente explorados e expostos dramas humanos em decorrência da Covid-19, soma-se outro que poucos se atentaram: o aumento explosivo da população de animais de rua, sobretudo cães, por conta da pandemia.  

O número de cães errantes – adultos e filhotes - abandonados por seus donos triplicou, sobretudo no Centro de Vitória. Trabalhadores formais e informais que perderam seus empregos têm reduzido gastos pessoais e familiares ao mínimo necessário. E os pets entram na cota do descarte, tendo sido abandonados às centenas.  

Dos animais urbanos errantes, cães são os que mais sofrem ao serem separados dos donos, devido ao alto grau de dependência com os humanos. Por sua natureza de maior independência, gatos conseguem sobreviver com mais facilidade ao abandono.  

No caso dos cachorros, o fechamento do comércio não essencial lhes trouxe um elemento dramático adicional: com a paralisação das atividades de bares e restaurantes, os animais que viviam em seu entorno e se alimentavam de restos de comidas estão morrendo em série, de fome.  

A ativista e protetora de animais Iara de Souza Martins reuniu um grupo para fornecer ração e água aos animais que circulam nas proximidades das Ruas Sete e Gama Rosa, sobretudo à noite. O que tem amenizado a situação dos animais daquela região.  

Mas como tudo que se refere à inexistência de uma política pública voltada à saúde e bem-estar de animais de rua, o que tem sido feito por abnegados protetores é um pouco como enxugar gelo.  

“Sem uma política pública municipal de saúde e bem-estar animal efetiva, fundamentada na castração, vacinação e vermifugação em massa, aliada a uma forte campanha de esclarecimento sobre posse responsável de animais, cães e gatos continuarão a se multiplicar em razão exponencial”, lamenta Iara.  

A ativista lembra que em ano de eleições municipais o momento é privilegiado para debater esses temas: “São temas centrais para o cidadão e as cidades e que dizem respeito, principalmente, à saúde também da população”.

O drama dos animais abandonados

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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