Vítimas da pandemia além das estatísticas
O cachorro é o mais fiel amigo do ser humano – a recíproca nem sempre verdadeira -, inclusive no infortúnio. Aos já conhecidos e suficientemente explorados e expostos dramas humanos em decorrência da Covid-19, soma-se outro que poucos se atentaram: o aumento explosivo da população de animais de rua, sobretudo cães, por conta da pandemia.
O número de cães errantes – adultos e filhotes - abandonados por seus donos triplicou, sobretudo no Centro de Vitória. Trabalhadores formais e informais que perderam seus empregos têm reduzido gastos pessoais e familiares ao mínimo necessário. E os pets entram na cota do descarte, tendo sido abandonados às centenas.
Dos animais urbanos errantes, cães são os que mais sofrem ao serem separados dos donos, devido ao alto grau de dependência com os humanos. Por sua natureza de maior independência, gatos conseguem sobreviver com mais facilidade ao abandono.
No caso dos cachorros, o fechamento do comércio não essencial lhes trouxe um elemento dramático adicional: com a paralisação das atividades de bares e restaurantes, os animais que viviam em seu entorno e se alimentavam de restos de comidas estão morrendo em série, de fome.
A ativista e protetora de animais Iara de Souza Martins reuniu um grupo para fornecer ração e água aos animais que circulam nas proximidades das Ruas Sete e Gama Rosa, sobretudo à noite. O que tem amenizado a situação dos animais daquela região.
Mas como tudo que se refere à inexistência de uma política pública voltada à saúde e bem-estar de animais de rua, o que tem sido feito por abnegados protetores é um pouco como enxugar gelo.
“Sem uma política pública municipal de saúde e bem-estar animal efetiva, fundamentada na castração, vacinação e vermifugação em massa, aliada a uma forte campanha de esclarecimento sobre posse responsável de animais, cães e gatos continuarão a se multiplicar em razão exponencial”, lamenta Iara.
A ativista lembra que em ano de eleições municipais o momento é privilegiado para debater esses temas: “São temas centrais para o cidadão e as cidades e que dizem respeito, principalmente, à saúde também da população”.