Dois projetos do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-
Ufes) estão concorrendo, em votação popular, para receber parte da verba de R$ 12 milhões de emenda parlamentar do deputado federal
Felipe Rigoni (PSB-ES). Um deles foi desenvolvido pela necessidade de adequar o serviço de patologia do Hospital Universitário para a realização de necropsias em pacientes com doenças infecciosas de alto contágio, como a Covid-19, e o outro para adequar as instalações do centro de pesquisas clínicas do hospital.
Com o advento da pandemia, vários serviços de necropsia no Brasil e no exterior deixaram de funcionar pelo alto risco de contaminação pelo novo coronavírus. “Isso impactou não apenas na elucidação dos aspectos biológicos do próprio vírus, como no estudo das demais doenças, com um enorme prejuízo no levantamento das causas de óbito durante a pandemia, relacionados ou não com a
Covid-19”, explica o professor de medicina da Ufes e médico patologista do Hucam Juliano Bertollo Dettoni.
Segundo ele, os requisitos de biossegurança para os procedimentos em casos de alto risco de contaminação por agentes biológicos não estão disponíveis no nosso Estado, assim como em vários outros centros do país. “A solução encontrada foi adequar o nosso serviço a alguns desses requisitos e adquirir equipamentos e insumos para realizarmos uma modalidade de necropsia que vem sendo utilizada com sucesso em alguns centros, em especial na Faculdade de Medicina da USP, de forma a minimizar o risco de contágio”, diz o especialista.
A técnica utilizada no procedimento se chama “autópsia minimamente invasiva”, na qual não há a abertura do cadáver para a realização do exame, diminuindo-se a chance contaminação do ambiente e pessoal envolvido.
“Fizemos um projeto de adequação da sala de necropsias do Hucam para a realização dos procedimentos minimamente invasivos com o intuito da retomada dos exames para o estudo de casos em situações como a Covid e doenças similares. Isso será um importante diferencial em termos de pesquisa médica no Hucam”, destaca Juliano, que está na mobilização de campanha para arrecadação de recursos.
Além disso, o projeto contempla a instalação de equipamentos de som e imagem para que os procedimentos de necropsia (convencional ou minimamente invasiva) sejam acompanhados por alunos de medicina via on-line, a chamada telepatologia. “Trata-se de projeto com importância médico-científica para óbitos com alto risco de contágio por agentes infecto-parasitários, assim como para a formação médica.”
O outro projeto selecionado destina-se à criação de um centro de pesquisa clínica no Hucam para permitir o desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas médicas envolvendo estudos com materiais biológicos, novos medicamentos e estudos epidemiológicos, dentre outros.
Segundo gerente de ensino e pesquisa do Hucam/Ebserh, professor José Geraldo Mill, a criação do centro é um requisito indispensável para o credenciamento do hospital para a realização dessas pesquisas, as quais vêm sendo incentivadas e parcialmente financiadas pelo
Ministério da Saúde e pela Anvisa, por serem de grande interesse público.
O professor Juliano Dettoni afirma que a implementação desses dois projetos colocará o Hucam/Ufes em um novo patamar na pesquisa médica no país.
Os projetos foram aprovados em três instâncias e são finalistas para concorrer à cota parlamentar que financiará as adequações. A votação é popular, começou dia 1º e vai até a próxima sexta-feira (9). Cada pessoa pode votar em mais de um projeto. Para votar é preciso baixar o aplicativo “Tem Meu Voto”, disponível em Android e iOs.