Grupos de direita e extrema-direita nas redes sociais, incluindo bolsonaristas, não estão perdoando o
deputado federal Amaro Neto (Republicanos-ES) por ele ter sido favorável ao pedido de urgência para votação ao chamado projeto das
Fake News (PL 2.630).
A revolta de grupos conservadores certamente foi ampliada pelo fato de Amaro ter assumido a mesma posição que a esquerda na
Câmara dos Deputados e, portanto, ter se alinhado com os petistas Helder Salomão e Jaqueline Rocha, os únicos da bancada federal capixaba (de 10 deputados) que votaram favoravelmente ao pedido de urgência na Câmara.
A coluna indagou ao deputado por que ele resolveu apoiar o projeto que tem provocado tantas resistências nos segmentos conservadores. Pelo que se percebe, a atividade profissional de jornalista de Amaro teve peso decisivo em seu comportamento como parlamentar.
Segundo apurou a coluna, ele votou a favor do requerimento de urgência, embora ainda não tenha definido sua posição quando o PL for submetido a votação, prevista para a terça-feira que vem (2/5). Como jornalista, o apresentador de TV defende que haja a regulação das redes, “sem prejuízo à liberdade de expressão”, como enfatiza.
O deputado capixaba também é favorável que o meio digital esteja sujeito às normas de responsabilidade por conteúdo como é na comunicação offline, em outras palavras, no “mundo real”.
Outro fator que pesou na adesão do deputado à regulação das redes sociais é o fato de, na opinião dele, a internet ter se tornado território onde criminosos planejam ataques como os das escolas, golpes financeiros e tráfico, entre outras atividades criminosas.
“Há que se ter regras claras de funcionamento e de penalização para as redes de forma a combater não só as fake news e desinformação, mas a criminalidade também”, afirma Amaro Neto.
A Câmara dos Deputados aprovou, por 238 votos a 192, o requerimento de urgência para o PL 2.630, que cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. Após três anos de tramitação, a votação da proposta está marcada para a próxima terça-feira, como anunciou o
presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
O relator da proposta, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), afirmou que a aprovação da urgência abre uma nova rodada de negociações. "É um esforço concentrado para uma nova rodada de conversas", disse.