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Leonel Ximenes

Há 100 anos, Vitória já vivia onda de fake news e vendia droga livremente

Anúncio do entorpecente era publicado até no diário oficial do Estado da época

Públicado em 

18 jan 2022 às 02:09
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O anúncio do lança-perfume (à esquerda) e o esclarecimento de um boato que inundava a capital capixaba
O anúncio do lança-perfume (à esquerda) e o esclarecimento de um boato que inundava a capital capixaba Crédito: Reprodução da internet
Em 1922, o Brasil vivia um tempo de transformações políticas e culturais. Em fevereiro, foi realizada a Semana de Arte Moderna; em março, era fundado o Partido Comunista do Brasil (PCB). Vitória não passou incólume a essa tendência: nessa época, a capital capixaba era inundada por boatos, as hoje conhecidas fake news, e um entorpecente era anunciado, vejam só, em pleno Diário Oficial do governo do Estado.
Há exatamente 100 anos, na edição de 17 de janeiro do “Diário da Manhã”, órgão oficial do Espírito Santo, a então Diretoria dos Serviços Reunidos de Victoria colocava um ponto final num boato que mexia com a então provinciana cidade de Vitória.
Em publicação no periódico oficial, a entidade explicava que era infundado todo boato "que corre pela cidade que tivesse aparecido [um] afogado na caixa d'água do Morro Santa Clara e que nela tivesse conservado por três dias um indivíduo".
Na mesma nota, a responsável reforçava que mantinha uma fiscalização rigorosa, evitando quaisquer acidentes. A chamada boca miúda, portanto, é tão antiga quanto a existência do planeta Terra.
Na mesma edição, o periódico estampava anúncio da venda de lança-perfume em plena Avenida Jerônimo Monteiro, a principal artéria viária da capital do ES, com diferentes preços para cada garrafa.
Um século depois, a venda da substância é proibida por lei, estando ainda na lista dos entorpecentes que mais financiam o tráfico em Vitória, cujos integrantes comercializam black lança, figurinha fácil nos chamados Bailes do Mandela.
Não que a venda da substância seja feita às escondidas na Capital. Há anúncios livres no Twitter e no Instagram, com perfis especializados em venda de drogas delivery, inclusive. Como se constata, muitos hábitos mudaram para tudo continuar a mesma coisa.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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