Em 1922, o
Brasil vivia um tempo de transformações políticas e culturais. Em fevereiro, foi realizada a Semana de Arte Moderna; em março, era fundado o Partido Comunista do Brasil (PCB). Vitória não passou incólume a essa tendência: nessa época, a capital capixaba era inundada por boatos, as hoje conhecidas
fake news, e um entorpecente era anunciado, vejam só, em pleno Diário Oficial do governo do Estado.
Há exatamente 100 anos, na edição de 17 de janeiro do “Diário da Manhã”, órgão oficial do
Espírito Santo, a então Diretoria dos Serviços Reunidos de Victoria colocava um ponto final num boato que mexia com a então provinciana
cidade de Vitória.
Em publicação no periódico oficial, a entidade explicava que era infundado todo boato "que corre pela cidade que tivesse aparecido [um] afogado na caixa d'água do Morro Santa Clara e que nela tivesse conservado por três dias um indivíduo".
Na mesma nota, a responsável reforçava que mantinha uma fiscalização rigorosa, evitando quaisquer acidentes. A chamada boca miúda, portanto, é tão antiga quanto a existência do planeta Terra.
Na mesma edição, o periódico estampava anúncio da venda de lança-perfume em plena Avenida Jerônimo Monteiro, a principal artéria viária da capital do ES, com diferentes preços para cada garrafa.
Um século depois, a venda da substância é proibida por lei, estando ainda na lista dos entorpecentes que mais financiam o tráfico em Vitória, cujos integrantes comercializam black lança, figurinha fácil nos chamados Bailes do Mandela.
Não que a venda da substância seja feita às escondidas na Capital. Há anúncios livres no
Twitter e no Instagram, com perfis especializados em venda de drogas delivery, inclusive. Como se constata, muitos hábitos mudaram para tudo continuar a mesma coisa.