Não obstante a ação solidária institucional relevante, algo mais chamou a atenção no informativo: a utilização do termo feminino “membra”, que é pouco comum e que muita gente acha que está errado ou eivado de “ideologia feminista” . Afinal, está certo ou errado?
Está certíssimo. O MPES, antenado com os novos tempos, não só agradou às mulheres como acertou na utilização da palavra que designa “mulher que participa de um corpo social, político ou administrativo, ou de um grupo que tem atividades, interesses e objetivos comuns”, conforme o prestigiado Dicionário Houaiss, uma das referências no setor.
Aliás, não só o Houaiss abona o uso de “membra”. Outros dicionários da língua portuguesa, principalmente os mais modernos e exclusivamente digitais, utilizam essa palavra, que também é avalizada pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, o Volp da Academia Brasileira de Letras (Volp). Uma das exceções é o Dicionário Aurélio, que não registra o vocábulo.
Embora admita que o uso do termo esteja correto, o professor Francisco Aurélio Ribeiro, doutor em Letras, professor, escritor e ex-presidente da Academia Espírito-santense de Letras, diz que, pessoalmente, não gosta da expressão: “Acho horrível, dói no coração”, resume.
Francisco Aurélio lembra que a palavra consta do Volp, o que, para ele, abona o uso do termo membra. “Palavra masculina terminada em ‘o’ admite a feminino terminada em ‘a’. Errado não está e se tem no Volp, é possível”, conforma-se.
Importante salientar que o substitutivo membro pode ser utilizado para designar tanto o masculino quanto o feminino, enquanto membra é para uso exclusivo do feminino.
Portanto, para nos referir às mulheres, podemos usar tanto membra como membro. O importante é que sejam competentes na função que assumem ou representam.