Uma das cidades até então mais tranquilas do
Espírito Santo está assustada com a onda de violência nos primeiros cinco meses deste ano. Uma violência que sai da calada da noite para a luz do dia, como aconteceu na manhã desta terça-feira (6), quando um homem passou atirando em direção a uma lotérica e alvejou outro homem que estava no local, isto a dois dias do início do maior evento da cidade.
“Provavelmente, briga por conta de drogas. Tráfico está pesado”, desabafou o prefeito Nemrod Emerick, o Nirrô (SD), diante do ataque feito às 10 horas da manhã em
Alegre, tranquila cidade universitária da Região do Caparaó, no Sul do Estado, e que neste feriadão vai receber milhares de visitantes para a volta do seu tradicional
Festival de Música de Alegre, que estava suspenso havia oito anos.
A vítima, cuja identidade não foi divulgada pela polícia, foi socorrida e levada para o hospital da cidade, que este ano já registrou três homicídios somente nos cinco primeiros meses, a mesma quantidade dos dois últimos anos juntos (2021 e 2022).
Os assassinatos começaram cedo em 2023 na pacata cidade de 30 mil habitantes: no dia 3 de janeiro, às 10 horas da manhã, um homem de 42 anos foi assassinado no bairro Clério Moulin, hoje uma das regiões mais complicadas de Alegre, segundo os moradores.
O segundo homicídio foi à 1 hora da madrugada do dia 17 de março, quando um homem de 68 anos foi assassinado no distrito de Café, na rodovia que liga a localidade à sede. E a terceira vítima não teve sexo nem idade revelados pela polícia, mas foi assassinada aos 33 minutos do dia 20 de abril.
Em todo o Espírito Santo, o número de homicídios aumentou em 6,6%, saltando de 412 nos cinco primeiros meses de 2022 para 439 no mesmo período em 2023.
Na última quarta-feira (31), o governo do Estado entregou a reforma e a ampliação da 6ª Delegacia Regional de Alegre. A unidade policial funciona em regime de plantão 24 horas e atende as ocorrências de flagrante dos municípios de Alegre, Bom Jesus do Norte, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Guaçuí, Jerônimo Monteiro e São José do Calçado.