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Leonel Ximenes

Fora da Sesp: Eugênio Ricas desistiu de ser o sucessor de Casagrande?

Delegado federal vai trabalhar na Interpol, na França, a convite do futuro secretário-geral da entidade, o brasileiro Valdecy Urquiza

Publicado em 13 de Agosto de 2024 às 09:07

Públicado em 

13 ago 2024 às 09:07
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
Eugênio Ricas
Eugênio Ricas, ex-secretário estadual da Segurança Pública Crédito: Carlos Alberto Silva
O anúncio surpreendeu muita gente: seis meses após assumir o desafiante cargo de secretário estadual da Segurança Pública (Sesp), o delegado federal Eugênio Ricas anunciou que está deixando o governo do Estado para assumir uma função na Interpol, na França.
Apontado como um natural sucessor do governador Renato Casagrande (PSB), a partir de 2027, Ricas no entanto afirma que ser o ocupante da cadeira número 1 do Palácio Anchieta nunca esteve nos seus planos.
“Não sou candidato, nunca fui, nunca foi um desejo meu”, enfatiza Ricas, em conversa com a coluna na noite desta segunda-feira (12), quando estava se despedindo da sua equipe de trabalho na Sesp.
O delegado federal, que assumirá sua função na Interpol, na França, a partir de novembro, admite que há dois anos chegou a pensar em ser candidato a governador. “Na verdade, eu tive um flerte em 2022, mas foi muito mais por influência de alguns políticos do que por vontade própria. Nunca foi efetivamente um desejo meu ser candidato a governador”, afirma.
Ricas diz que o cargo de governador é “honroso”, mas considera que não está preparado para, por exemplo, exercer a função como o atual titular do palácio: “Admiro demais o trabalho que o governador Renato Casagrande faz e já falei para ele algumas vezes e me perguntei se eu seria capaz de fazer o que ele faz, de trabalhar o tanto que ele trabalha, e a resposta é sempre não.”
"Torço muito para o Espírito Santo, não vou cortar meus laços com o Estado que eu adotei. Meus filhos praticamente foram criados aqui, tenho casa aqui, então vai ser sempre meu Estado no Brasil, mas não sou candidato a governador e nem a qualquer cargo eletivo"
Eugênio Ricas - Delegado federal e ex-secretário da Sesp
Embora reconheça que o trabalho na Secretaria de Segurança Pública dê muita visibilidade e exposição, principalmente se o secretário da pasta tiver objetivos políticos, o delegado federal reafirma que nunca teve ambição política de ser governador. “Não era meu objetivo ser governador e continua não sendo. Nunca fui filiado a partido político.”
Eugênio Ricas admite que seu cargo na Sesp o credenciava a postular a candidatura a governador: “Muita gente falava no meu nome. E isso talvez seja natural em razão da visibilidade e da exposição, mas eu não cogitava ser governador. A política é um instrumento civilizatório, a gente não tem como melhorar as coisas se não for através da política”, destaca.
O mandato do futuro secretário-geral da Interpol, o brasileiro e delegado da Polícia Federal Valdecy Urquiza, é de cinco anos, período no qual Ricas pretende cumprir trabalhando na cidade francesa de Lyon, sede da instituição.
“Se tudo der certo, eu fico contribuindo com a gestão dele nestes cinco anos. É uma missão honrosa, estou muito animado e motivado. Sei do tamanho do desafio, é o primeiro brasileiro a chefiar a segunda maior organização internacional do mundo. Acho que a gente tem caminho para fazer um bom trabalho e ajudar na cooperação internacional.”

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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