Que saudades da Inglaterra, deve estar suspirando a capixaba Lidiane Lahass, de 37 anos, estudante do último ano de Direito de uma faculdade particular em Cariacica. É que nesta segunda-feira (25) ela foi surpreendida ao acessar sua conta de e-mail. Lá estava um convite do NHS (National Health Services), o famoso e eficiente sistema público de saúde inglês, para que ela se apresentasse para tomar a tão desejada vacina contra a
Covid-19.
E como uma capixaba que mora em Campo Grande, Cariacica, foi acionada para ser vacinada na Inglaterra? A resposta é simples: é que de 2004 a 2006 Lidiane morou na Inglaterra, utilizava o sistema de saúde da terra da rainha e por isso ela continuou cadastrada no NHS.
“É uma sensação bem controversa, porque na Inglaterra eu era imigrante. Obviamente contribuía para a economia daquele país, pagava imposto, mas eu era apenas uma imigrante”, ressalta Lidiane, que trabalha como estagiária num renomado escritório de advocacia em Vitória.
Ela conta que a fama mundial do NHS, o “SUS inglês”, é justa: “O tratamento que a gente recebe lá é exemplar, mas por causa do patriotismo, da família, por amar o seu país a gente volta pra cá para o Brasil, mas acaba se submetendo a esse tratamento que a gente tem”, critica.
Tratamento deficiente que ela sentiu na pele. Lidiane diz que pegou Covid, o que acabou lhe rendendo muitos aborrecimentos. “Meu resultado demorou mais de 15 dias para sair. Então essa é a diferença, um paradoxo. Como imigrante, você é convidado a tomar vacina, mas aqui no Brasil não se consegue um atendimento.”
Dependente do SUS, a estudante de Direito insiste na crítica à demora no resultado do exame a que se submeteu para detectar a infecção pelo novo coronavírus. “O meu atendimento é pelo SUS e meu resultado demorou quase 20 dias. Saí da quarentena, voltei a trabalhar e o resultado não tinha saído”, lamenta.
Diante de tantas dificuldades, Lidiane confessa um desejo: “Dá vontade de ir à Inglaterra para tomar a vacina, mas a gente não desiste, estamos aqui, no mesmo barco”.