Desta vez a medida disciplinar, assinada pelo comandante-geral da instituição, coronel Alexandre dos Santos Cerqueira, e publicada no dia 11 de abril no Boletim Reservado do Corpo de Bombeiros Militar, atinge o coronel Carlos Wagner Borges.
Segundo os Bombeiros, o IPM foi instaurado para apurar indícios de crimes de calúnia, difamação ou injúria cometidos contra superior hierárquico, atribuídos ao coronel Carlos Wagner Borges.
Ele chegou a ser afastado das suas funções de corregedor no próprio dia 11, quando ainda era tenente-coronel, na fase de instrução do processo. Mas 13 dias depois, no dia 24 de abril, ainda de acordo com a corporação militar, o afastamento foi suspenso e Wagner Borges foi designado para a Diretoria de Operações dos Bombeiros. Entretanto, ele continua respondendo ao IPM.
Coincidentemente, duas semanas depois do afastamento cautelar, foi publicado no Diário Oficial, no dia 25 de abril, o decreto do governador Renato Casagrande (PSB) com a promoção do tenente-coronel Wagner Borges a coronel, a maior patente da corporação, com efeito retroativo a 5 de março de 2024. No decreto assinado pelo governador, consta a promoção “por merecimento”.
Indagada pela coluna sobre a legalidade e a oportunidade da promoção, haja vista que o oficial é alvo de um IPM em andamento, a assessoria da instituição alega, em nota, que o ato está de acordo com a lei:
“O Corpo de Bombeiros Militar esclarece que a promoção do coronel Carlos Wagner Borges, publicada em 25 de abril de 2024, está amparada na Lei Complementar 910/2019, e não há, no caso do militar, impedimentos para alcançar o posto de coronel”, diz o texto.
Ex-porta voz do Corpo de Bombeiros do ES, Wagner Borges transita com facilidade no mundo político. Bem articulado, já foi candidato a prefeito de Vila Velha pelo PL em 2020 (ficou em 4º lugar com 6,73% dos votos), chefe da Defesa Civil em Cariacica, secretário de Defesa Social (Segurança) de São Mateus e candidato (derrotado) a deputado federal pelo Republicanos em 2022 (13.379 votos).