Após dois anos, o
Espírito Santo retornou ao primeiro lugar, dividindo a liderança com
Sergipe, entre os Estados com as maiores taxas de mortes relacionadas ao consumo de álcool no Brasil, com uma taxa de 37,9 óbitos atribuíveis ao álcool por 100 mil habitantes, acima do índice nacional (31,5).
Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), referência nacional sobre o tema, a maioria das vítimas são homens (77%), e 51% desses óbitos ocorreram entre pessoas com 55 anos ou mais.
As principais causas dos óbitos atribuíveis ao álcool, no Estado, são: acidente de trânsito (16,7%), cirrose hepática (15,9%), violência interpessoal (13,4%) e transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool (13%).
Também chama a atenção o aumento no número de mortes totalmente atribuíveis ao álcool, ou seja, agravos à saúde que poderiam ser 100% prevenidos se não houvesse o consumo de álcool. No Espírito Santo, em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, houve um crescimento de 43% dos casos, em relação a 2019, passando de 142 óbitos para 205. No Brasil, essa ampliação foi de 24% (de 6.594 para 8.169 óbitos).
Ainda segundo a 4ª edição da publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2022” - da Cisa, no caso de internações atribuíveis ao álcool, o ES é o sétimo Estado em hospitalizações por grupo de 100 mil habitantes, com índice de 179,5, bem acima também do nacional (155 internações relacionadas ao uso de álcool por 100 mil habitantes).
Em relação ao consumo abusivo de álcool nas capitais,
Vitória destaca-se como a segunda em prevalência entre a população (23,3% da população relatou uso abusivo) e terceira entre os homens (32,6% dos homens disseram consumir álcool de forma abusiva), em 2021, de acordo com o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2021).
“Esse é um dos padrões de consumo mais perigosos à saúde e está relacionado a maior risco de prejuízos imediatos, como intoxicação alcoólica (ressaca), quedas, envolvimento em brigas, sexo desprotegido e amnésia alcoólica. Se frequente, pode aumentar o impacto negativo do álcool em diversos órgãos e sistemas, especialmente no trato gastrointestinal, fígado, pâncreas, sistema nervoso e sistema cardiovascular”, alerta Arthur Guerra, psiquiatra e presidente executivo do Cisa.