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Falsificação de cerveja no ES: veja como saber se a bebida é verdadeira

Falsificação de cerveja no ES: veja como saber se a bebida é verdadeira

Investigação desmantelou um esquema de falsificação da bebida no Espírito Santo. Eram colocadas cerca de 120 mil garrafas de cerveja por mês no mercado capixaba desde janeiro

Publicado em 14 de junho de 2022 às 12:56

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Marcas tradicionais de cervejas estavam entre as adulteradas pelos criminosos
Marcas tradicionais de cervejas estavam entre as adulteradas pelos criminosos. (Vinicius Zagoto)

Polícia Civil deflagrou uma operação contra uma quadrilha interestadual que falsificava cervejas na Grande Vitória. O esquema consistia em colocar a rotulagem de cervejas tradicionais em uma cerveja desconhecida dos capixabas, que era comprada a R$ 1,20 a unidade, em Londrina, no Paraná. O delegado responsável pela ação, Eduardo Passamani, dá dicas de como identificar se a bebida é falsa.

Dicas para identificar cerveja falsa

1. Se atente ao preço da cerveja: ainda que vendida acima do valor de R$ 1,20, a bebida pode ser comercializada por um valor abaixo da média, para se tornar mais atrativa no mercado.

2. Apure o sabor: se a cerveja possui um gosto diferente daquela consumida frequentemente, pode ser um sinal de que na garrafa há outro produto que não o original.

3. Nota fiscal: no caso dos donos dos estabelecimentos, é importante pedir a nota fiscal do produto. As investigações apontam que as cervejas vendidas pela quadrilha eram comercializadas sem documentação. Sem lastro financeiro, o comprador também pode ser responsabilizado.

Em caso de desconfiança, o consumidor pode entrar em contato com a Delegacia Especializada da Defesa do Consumidor (Decon) ou pelo Disque-Denúncia da Polícia Civil, telefone 181 e site disquedenuncia181.es.gov.br.

RISCOS À SAÚDE 

A polícia constatou que o galpão, em Novo México, Vila Velha, onde as cervejas eram manuseadas, estava em condições totalmente insalubres.

“As fotos mostram que as garrafas eram lavadas em tanques, caixas d’água. O local era cheio de lixo, porque era feita a raspagem dos rótulos. A rotulagem era raspada, jogada no chão”, contou Eduardo Passamani.

O delegado explicou que risco de contaminação existe a partir do momento em que a garrafa é aberta sem nenhuma condição sanitária, como a quadrilha fazia no galpão em Novo México. “Isso pode gerar risco à saúde do consumidor. Foram coletadas amostras para serem encaminhadas ao laboratório da Polícia civil e o Lacen (Laboratório Central da Secretaria de Estado da Saúde).

COMO FUNCIONAVA A FALSIFICAÇÃO 

Um vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra como era feita a adulteração das cervejas falsificadas apreendidas em um galpão de Vila Velha. Durante a ação, oito pessoas foram presas. Além das prisões, foram apreendidas quase 30 mil garrafas de cerveja que estavam chegando para serem adulteradas, além de mais de 2 mil garrafas de cerveja já falsificadas e prontas para venda.

Na gravação, é possível observar o processo para falsificação do rótulo. O criminoso tira a tampa da cerveja de preço mais barato com uma ferramenta e troca por outra, de uma marca tradicional do mercado capixaba. Em seguida, o indivíduo usa uma cola para trocar os rótulos das garrafas.

A operação foi feita a partir do cumprimento de mandado de prisão expedido pela 6ª Vara Criminal de Vila Velha. As cervejas que, segundo o delegado Eduardo Passamani, titular da Decon, eram de marcas tradicionais e vítimas do crime, estavam dentro de um caminhão.

“Durante as diligências, localizamos duas mil garrafas já falsificadas e pontas para venda. No local, também foram apreendidos materiais para falsificação, como rótulos, tampas, colas e lacres. Eles estavam usando falsificações de marcas tradicionais e bastante conhecidas”, contou o delegado.

De acordo com Passamani, a investigação durou alguns meses e chegou até o galpão onde estavam sendo armazenadas as cervejas adulteradas. Os criminosos compravam a cerveja, de uma marca desconhecida dos capixabas, a preços baratos — cerca de R$ 1,20 por garrafa — na cidade de Londrina, no Paraná, e traziam para o Espírito Santo.

"Quando ela chegava no galpão, ela era espalhada, existia uma série de trabalhadores que faziam a adulteração deste produto. Esse produto era mudado o rótulo, era lavado e eram colocadas duas marcas tradicionais. Depois que era embalado, limpo, era colocado no mercado capixaba e distribuído", disse. 

120 mil garrafas por mês
eram colocadas no mercado capixaba desde janeiro

DESTINO DAS CERVEJAS 

Passamani pontuou que ainda não se sabe para onde essas cervejas adulteradas eram distribuídas, mas ele acredita que em torno de 120 mil garrafas adulteradas por mês saíam do galpão e entravam no mercado capixaba. Os dois mentores da quadrilha, que já foram identificados conforme informou o delegado, moram no Rio de Janeiro, mas são do Rio Grande do Sul e do Tocantins. O primeiro, inclusive, já foi preso no Espírito Santo por envolvimento com formação de quadrilha e relação de consumo. Os outros trabalhadores eram captados fora do Estado e apenas o motorista do caminhão era capixaba.

A reportagem tenta contato com a Ambev e a Cerveja Acerta, vítimas do esquema de falsificação de cerveja, e, assim que houver retorno, este texto será atualizado.

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