Vitória celebra seus 472 anos nesta sexta-feira (8), mas as primeiras imagens são “recentes” - datam de 1860. E o responsável pelo registro é o fotógrafo francês Victor Frond. As imagens, que estão no acervo do Arquivo Público do ES e da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, mostram paisagens do Penedo e da
Baía de Vitória.
As fotografias da Capital, feitas por Frond (1821-1881), são de uma série de panoramas. O francês era oriundo de uma família camponesa da região de Lot, no sul da
França. Antes de exercer seu novo ofício, ele atuou como subtenente na 4ª Companhia do Batalhão do Corpo de Bombeiros de Paris.
Foi militante republicano e participou de barricadas e revoltas. Em 1852, foi preso e sentenciado à pena máxima, sendo deportado para a Argélia, no Norte da África. Empreendeu uma fuga do cativeiro e exilou-se na Inglaterra, onde reencontrou seus companheiros de luta. Depois, transferiu-se para
Portugal e estudou fotografia.
Ao chegar ao Brasil, Frond montou um ateliê, recebendo o reconhecimento da Casa Imperial e tornando-se um dos fotógrafos do imperador. Foi considerado um dos melhores profissionais do ramo na época e ganhou renome com a publicação do livro “Brasil Pitoresco”, contendo fotografias de sua autoria realizadas no
Rio de Janeiro e fazendas de escravos do interior daquela província.
Victor Frond foi o primeiro a registrar fotograficamente o cotidiano dos escravos nas lavouras fluminenses e a produção agrícola nacional.
Após o sucesso dos primeiros volumes, o projeto se expande tendo como meta retratar e descrever outras províncias do Brasil, principalmente as de Pernambuco e
Bahia. O Espírito Santo também é inserido nesse roteiro.
Frond é então contratado pelo governo imperial, com recursos do Departamento Geral de Terras, para excursionar pelo interior, seguindo o mesmo itinerário trilhado pelo monarca dom Pedro II nas terras capixabas, incluída a província no projeto fotopublicista do “Brasil Pitoresco”.
O francês, de repente, deve ter sido um dos primeiros a entender o que o poeta e jornalista Marien Calixte iria atestar anos depois: “Viver é ver
Vitória”.