Antes da matéria propriamente dita, uma necessária digressão histórica. Muita gente há de se lembrar: em 1989, na primeira eleição presidencial após a redemocratização do país, o empresário Mário Amato, diante da possibilidade real de o candidato do PT ser eleito, soou o alarme: “Se
Lula vencer, 800 mil empresários deixarão o país”.
O tempo passou, o Brasil amadureceu, Lula não foi eleito naquele pleito, mas alguns anos depois, e a declaração do então presidente da poderosa Federação das Indústrias de SP (Fiesp) é apenas uma vaga lembrança.
O alarmismo do falecido Amato soa hoje anacrônico. Nos tempos atuais, a esquerda não assombra mais a maioria dos empresários. Veja o caso do prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB): o camarada foi convidado (e aceitou) ser conselheiro do Conect, o Conselho de Economia Criativa da
Federação das Indústrias do ES (Findes).
Neto, que está encerrando seu segundo mandato consecutivo em
Baixo Guandu (que continua capitalista), está vibrando com a possibilidade de levar sua experiência para um dos Conselhos temáticos mais contemporâneos da Findes. Ele não esconde de ninguém que se inspira num gigante comunista (comunista?) e seu desenvolvimento acelerado.
“Vejo como uma grande oportunidade, já que assim como melhoramos todos os índices socioeconômicos de Baixo Guandu em oito anos, agora vou tentar contribuir com o Espírito Santo e seu setor produtivo. Estou estudando o desenvolvimento da China e a nova economia do projetamento, que tem alavancando sobremaneira aquele país”, destaca.
Segundo a Findes, o Conect tem como objetivo discutir e apresentar propostas para o ciclo de criação, produção e distribuição de produtos que usam a criatividade, o ativo intelectual e o conhecimento como principais recursos produtivos.
“O Conect atua para promover o desenvolvimento econômico das indústrias criativas capixabas. Minha participação terá como meta buscar contribuir com ideias e ações para ampliar a complexidade da economia capixaba, já que, assim como a brasileira, há décadas vem perdendo espaço. Ela precisa avançar muito”, afirma Barros, que não será remunerado pela função.
O prefeito guanduense já vislumbra uma ação do Conselho diante da pandemia do novo coronavírus: “Já estou tentando construir junto com a Secretaria Estadual da Saúde uma parceria com a indústria. A ideia é o poder público investir em ações e projetos voltados às necessidades criadas pela pandemia. Já existe a previsão legal, e além da inovação necessária a qualquer economia, geraria mais emprego e renda e aumentaria a nossa importância econômica no país”.
O Conselho é constituído por representantes da indústria, indicados pelos sindicatos setoriais ou convidados pela Findes. É o caso de Neto Barros, que foi convidado pela presidente da Federação, Cristhine Samorini. Na estrutura do colegiado tem um presidente, um vice e 12 conselheiros.
A presidente explica que a escolha de Neto para o Conselho foi pautada em critérios técnicos: “A escolha levou em consideração o conhecimento dele. Precisamos de pessoas que tenham capacidade de conhecimento profundo de gestão de volume de recursos, as oportunidades que precisam e como ser construído isso. Levamos em conta a capacidade técnica, a visão dele e os resultados que ele conquistou em Baixo Guandu”, elogia.
Em resumo, senhores industriais, não há motivo para ter medo: comunistas não comem criancinhas e vocês não precisam mesmo deixar o Espírito Santo.