“Há algo no ar além dos aviões de carreira (Barão de Itararé)”; “Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia (Shakespeare)”. Em
Vitória, sem ironia e sem filosofia, tudo isso pode ser resumido numa palavra: barulho.
Sim, o velho (e mau) barulho das aeronaves tem voltado a incomodar moradores no entorno do Aeroporto de Vitória. O transtorno chegou a tal ponto que suscitou um discurso na
Assembleia Legislativa por parte do deputado Denninho Silva (UB), morador da Grande Goiabeiras.
Ele quer que a Zurich Airport Brasil, concessionária que administra o
Aeroporto de Vitória, suspenda a operação da rota antiga de desembarque de aviões no aeroporto, que passa exatamente pela parte continental da Ilha.
“Mais de 100 mil moradores da região continental, a
Grande Goiabeiras, voltaram a sofrer com esse transtorno de aviões à 1 hora da madrugada passando baixo, aterrorizando e assustando os idosos da região”, protestou o parlamentar, com a virulência verbal que lhe é característica.
Mas o problema existe mesmo. A coluna procurou a assessoria da Zurich Airport Brasil, para saber o motivo da volta do barulho incômodo dos aviões, inclusive em altas horas da noite e madrugada, na parte não insular da cidade.
Segundo a empresa, a situação deve se normalizar em três semanas, período em que está sendo feita a manutenção, “programada e periódica”, da chamada pista nova do aeroporto, “para garantir os elevados níveis de segurança e operacionalidade".
“A pista 02/20 ou pista nova tem prioridade nas operações do Aeroporto de Vitória. Em 2023, considerando o total de pousos e decolagens, ela foi usada 96% das vezes, contra 4% de uso da 06/24 ou pista antiga”, detalha a Zurich em nota enviada à coluna.
Ou seja, a utilização da pista antiga do terminal está levando os aviões a sobrevoar os bairros no entorno do aeroporto. Na pista nova, a que está em manutenção, o trajeto geralmente é feito pelo mar, o que atenua os incômodos à população.
A Zurich ressalta também que o fato de haver duas infraestruturas de pista garante ao aeroporto da Capital “manter-se aberto e operacional, sem impactos nos voos, durante esses períodos”.
Voar com barulho ou sem barulho, eis a questão.