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Empresas

Raça, gênero e geração: o avanço e a relevância da diversidade

Em decorrência da relevância que a agenda ESG ganhou no mundo, importantes avanços ocorreram, em especial quando as empresas passaram a estabelecer metas a serem perseguidas em busca da diversidade

Publicado em 14 de Maio de 2023 às 00:35

Públicado em 

14 mai 2023 às 00:35
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Diversidade nas empresas é uma tendência
Diversidade nas empresas é uma tendência Crédito: Pixabay
A sociedade testemunha há tempos o avanço na agenda da diversidade. Cada vez mais as empresas, organizações públicas e privadas e a política em geral se conscientizam de que, ao criar ambientes que favorecem e propiciem o convívio de diversas visões e correntes de pensamento, a resultante mostra-se positiva.
A diversidade, contudo, ainda é tabu em vários segmentos. Muitas vezes é um tabu silencioso, que se torna ainda mais complexo. Neste artigo, pretendo ater-me a tratar de três aspectos: raça, gênero e geração.
Nos últimos anos, este tema ganhou um grande aliado, que foi a propagação da agenda ESG – que em inglês significa sustentabilidade ambiental, social e governança. Em decorrência da relevância que a agenda ganhou no mundo, importantes avanços ocorreram, em especial quando as empresas passaram a estabelecer metas a serem perseguidas em busca da diversidade.
Mudanças nas organizações não são fáceis de implementar, e aqui estamos falando de mudança de cultura, o que é ainda mais complexo: demanda tempo, exige lideranças esclarecidas e persistentes, para adotar e sustentar as atitudes corretas, frente às ameaças de resistência e retrocesso.
Num mundo cada vez mais disruptivo, de mudanças rápidas e intensas, é importante ter no comando das organizações profissionais das mais diversas origens, formações e gerações: a variedade de análises e opiniões, de diferentes pontos de vista, contribui para melhor compreensão dos desafios e para soluções mais criativas e eficazes.
No caso das mulheres, elas têm conquistado cada vez mais espaço no meio empresarial e nas atividades médicas, jornalísticas, acadêmicas, esportivas e políticas, em todos os campos, enfim, o que tem sido extremamente positivo para a sociedade.
Em posições de destaque, as mulheres têm se mostrado competentes e dedicadas, com o diferencial de uma sensibilidade mais acentuada, uma visão mais plural e abrangente e maior versatilidade. Vivemos séculos de uma cultura patriarcal que historicamente sempre restringiu o papel das mulheres na sociedade. Até os anos 50, o destino profissional reservado a elas praticamente se limitava a ser professora ou dona de casa.
O Espírito Santo, por sua vez, tem apresentado bons exemplos ao Brasil, como é o caso da nossa economista Ana Paula Vescovi, que após desempenhar importante papel à frente do Tesouro Nacional, exerce cargo de grande relevância em um dos maiores bancos comerciais do mundo. O mesmo pode-se dizer da presidente da Findes, Cris Samorini, até bem pouco tempo atrás a única mulher presidente em uma Federação das Indústrias no país. Temos vários outros exemplos que ultrapassaram a fronteira do Estado, como Rose de Freitas, Elisa Lucinda, Margareth Dalcomo, entre tantas outras.
No país, temos vários exemplos de mulheres CEOs das empresas, como Tânia Cosentino, da Microsoft Brasil; Renata Campos, da farmacêutica japonesa Takeda Brasil; Mirele Mautschke, da DHL Express, uma das maiores empresas de logística do mundo; Sandra Papaiz, do Grupo Papaiz, e Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, entre tantas outras.
Mas a diversidade também tem de ser observada na agenda racial e geracional. Precisamos de políticas afirmativas, como ocorreu com a política de cotas nas universidades federais. Nas empresas devemos estar atentos mais para esta evolução, que tanto pode contribuir para o desempenho das organizações e para a sociedade como um todo.
E, por fim, a diversidade de gerações. Como estamos evoluindo na expectativa de vida, e também se torna necessário revisitar programas previdenciários, fazendo com que as pessoas tenham maior produtividade ao longo da vida, o convívio entre gerações vai ser cada vez mais intenso. E isso é ótimo!
Hoje podemos ter até três gerações em uma mesma agenda, por que não? Podemos ter na mesma equipe profissionais de 75, 50 e 25 anos, por exemplo. Pense na diversidade e na riqueza de experiências acumuladas e nas visões que podemos extrair desse convívio, respeitando as diferenças e usando a inteligência emocional necessária para uma colaboração baseada na transparência e na confiança. O resultado pode surpreender positivamente!
Precisamos estar atentos, contudo, para os preconceitos inconfessos, os comentários que ferem, a desvalorização silenciosa, e por isso é tão importante termos empresas com políticas ativas e afirmativas no tema.
Boas práticas de diversidade, equidade e inclusão se traduzem em melhor desempenho para as organizações. Relatório elaborado pela Itaú Asset concluiu que as empresas preocupadas com a agenda ESG são mais resilientes e mais valorizadas na Bolsa de Valores.
Outro relatório da PwC divulgado na imprensa indica que, até 2025, 57% dos ativos de fundos mútuos na Europa estarão em fundos que consideram os critérios ESG, o que representa US$ 8,9 trilhões. Além disso, 77% dos investidores institucionais pesquisados pela PwC disseram que planejam parar de comprar produtos não ESG nos próximos dois anos.
É um caminho sem volta, felizmente. As organizações que ainda não estão atentas à agenda ESG deveriam rever suas prioridades, por uma questão de propósito e de compromisso com o desenvolvimento do país e também com o futuro dos próprios negócios.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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