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Publicado em 20 de abril de 2023 às 21:14
Militante há cerca de 20 anos e ativista LGBTQIA+, a assistente social Barbarah Brasil, 39 anos, foi nomeada coordenadora de Diversidade da Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres e vai ser a primeira mulher trans a comandar o setor, que tem como principal objetivo construir uma política de diversidade sexual e de gênero no Espirito Santo, além de desenvolver políticas públicas específicas para mulheres trans e travestis.>
A coordenadora de Diversidade da Secretaria Estadual de Política para Mulheres disse que já recebeu muitas demandas e uma das primeiras ações adotadas foi ouvir detentas da Penitenciária Feminina de Cariacica, localizada em Bubu, e nos próximos dias deve visitar as presas do Presídio de Segurança Média II, de Viana. >
"Vamos ouvi-las para saber quais são as suas necessidades. A intenção é que elas saiam da prisão para outra realidade e não voltem para o que tinham antes. Queremos fazer política pública para que dê impacto positivo na vida dessas mulheres", afirmou.>
Uma das medidas previstas especificamente para mulheres trans, segundo Barbarah, é desenvolver políticas voltadas para a criação de oportunidades e empregabilidade para as trans. "A gente também quer criar incentivo para que elas voltem a estudar, porque muitas delas têm apenas o ensino fundamental. Queremos que elas façam o ensino médio e cheguem até a faculdade, porque às vezes existe oportunidade de emprego, mas elas não têm qualificação adequada", frisou.>
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Para isso, ela pretende se utilizar da experiência adquirida com projetos sociais desenvolvidos pela Acadêmicos da Grande Jacaraípe, entidade da qual é presidente e desenvolve trabalhos voltados para a empregabilidade de mulheres e de pessoas trans. >
Barbarah Brasil
Coordenadora de Diversidade da Secretaria de Estado de Políticas para MulheresAntes de entrar para a política — está filiada ao PSB desde 2020 e é secretária do segmento LGBTQIA+ do PSB da Serra, além de ter concorrido ao cargo de deputado estadual em 2022 —, Barbarah foi ativista social e também trabalhou na área cultural. >
"Sou uma sobrevivente das dificuldades da vida. Como praticamente toda mulher trans, já passei pela prostituição. Fui a primeira carnavalesca mulher no carnaval capixaba, comecei na Tradição Serrana, em 2005, e depois passei por outras escolas. Essa questão cultural me levou a questões sociais, comecei a fazer trabalhos sociais, já recebi e acolhi muitas trans na minha casa. Entrei na faculdade depois disso e a militância foi me levando aos projetos que atuo hoje", contou a coordenadora de Diversidade.>
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