A posse da nova diretoria do ES em Ação, na semana passada, marca o espírito de transparência e oxigenação de uma organização empresarial que foi decisiva para o desenvolvimento do Espírito Santo nas últimas duas décadas.
Atuando em parceria de forma republicana com as lideranças políticas, a organização contribuiu com o planejamento estratégico de longo prazo do Estado, o que possibilitou os avanços sociais e econômicos observados nesse período. Temos aqui um exemplo claro de atuação institucional pautada por ideias e projetos, com independência política.
O ES em Ação é uma referência para o Brasil e já começa a inspirar organizações semelhantes em outros Estados, como Pernambuco. No Espírito Santo, ela foi fundada em 2003, quando o Estado iniciava o processo de recuperação ética, financeira e administrativa, saindo de uma crise profunda que resultara no atraso de pagamento de servidores e fornecedores, deterioração dos serviços públicos, greves no funcionalismo, queda dos indicadores sociais e denúncias de corrupção.
De patinho feio da Federação, que ocupava o noticiário com escândalos, passamos a ser referência em gestão fiscal e responsabilidade social. O vice-governador Ricardo Ferraço observou, na posse da nova diretoria, que há 13 anos o Estado é nota A no Tesouro Nacional, investindo atualmente 20% de sua receita líquida.
No ano passado, ficamos em primeiro lugar no Ideb, o índice que mede a qualidade da educação nas escolas brasileiras. Temos, portanto, o melhor ensino do Brasil, e a educação é justamente um dos pilares do ES em Ação.
A organização, que tem diversas frentes de estudos e trabalhos, consolida-se como um think tank na temática do desenvolvimento. Nos últimos anos destaca-se também pela atuação na educação, com um programa específico para assessorar municípios na elaboração de políticas públicas voltadas para a educação integral, contando atualmente com 9 municípios parceiros e 50 escolas municipais, beneficiando mais de 11 mil estudantes. Na rede estadual, temos atualmente 211 escolas em tempo integral, contemplando mais de 66 mil alunos.
Em recente artigo, intitulado “Os empresários e a política”, o professor João Gualberto, um dos fundadores do ES em Ação, destacou a participação do empresariado capixaba no desenvolvimento do Estado nos últimos 100 anos, desde Getúlio Vargas, que iniciou nos anos 30 o processo de industrialização e modernização da economia brasileira, até os dias de hoje, passado pela crise da erradicação dos cafezais nos anos 60, quando a Findes entregou para o governador Christiano Dias Lopes o plano de desenvolvimento que garantiria o crescimento das décadas subsequentes.
No caso do ES em Ação, ele promoveu, em parceria com as lideranças políticas do Estado, os planos ES 2025, ES 2030 e agora o ES 500, com o planejamento do Estado até 2035, quando completamos 500 anos de colonização. O ES 500 tem cinco missões que contemplam inovação e diversificação da economia, sustentabilidade, saúde, educação e assistência social e modernização da gestão pública.
O empresário Luiz Wagner Chieppe, também um dos fundadores e que acaba de deixar a presidência do Conselho Deliberativo do ES em Ação, observou que a evolução dos últimos anos não se deve apenas a fatores conjunturais: “Ela é resultado da presença cada vez mais ativa de lideranças com princípios sólidos à frente das nossas entidades, empresas e instituições públicas”.
Essa virada de página observada no Espírito Santo não caiu do céu. Ela foi resultado de muito trabalho e cooperação, que, como destacou o novo presidente do ES em Ação, Fernando Saliba, contou com a participação das Igrejas, da OAB-ES, da imprensa independente e de diversas associações.
Pessoalmente, me sinto honrado por ter sido convidado a integrar o conselho deliberativo do ES em Ação, em um primeiro movimento de renovação nessa instância, ao lado de Jorge Luiz Ribeiro de Oliveira e Nailson Dalla Bernadina, na instituição que meu pai, Sérgio Rogério de Castro, ajudou a fundar há 20 anos, ao lado de Cariê Lindenberg, ambos já falecidos, junto com lideranças empresariais que continuam dando relevante contribuição, como Carlos Aguiar, Ernesto Mosaner, José Armando de Figueiredo Campos, Sergio Tristão, Alexandre Theodoro e Nilton Chieppe, entre outros.
Como já observamos, o Espírito Santo é o Brasil que dá certo. Temos rumo, temos governança, temos ambiência de negócios e sabemos onde queremos chegar. Falta implantar esse modelo Brasil afora.