O Brasil vive um momento crítico, com o governo federal e o Congresso Nacional num impasse sobre o ajuste fiscal necessário e o risco de um apagão nas contas públicas nos próximos dois anos. Dados do próprio governo, na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, indicam que há risco de um colapso, com a evolução das despesas muito acima das receitas, deixando a máquina pública sem recursos básicos para luz e aluguel. Chegaremos a esse ponto?
No momento, o que precisamos é de um mínimo de coerência e diálogo para que o país reencontre o caminho do desenvolvimento, com planejamento de longo prazo e alguma previsibilidade para os empreendedores.
O que vemos hoje são discursos de lideranças políticas descolados da vida real. Todos falam na necessidade do ajuste fiscal, mas não vemos ninguém trabalhando nesse sentido. No plano pessoal ou profissional, quando almejamos um objetivo, definimos as metas e trabalhamos para alcançá-las, certo? Parece óbvio, mas não é o que vemos na gestão pública.
O Congresso, em meio a um embate com o Executivo sobre a necessidade de cortar despesas, contrariando a narrativa de suas próprias lideranças, achou por bem aumentar o número de deputados federais, de 513 para 531, com despesa adicional de R$ 750 milhões por ano, mais o efeito cascata nas Assembleias Legislativas estaduais. É somente um exemplo.
Nos três poderes, vemos diariamente a batalha para proteger privilégios, mantendo intocadas benesses de toda ordem, que driblam o teto do funcionalismo, levando a supersalários impensáveis no setor produtivo. Nesse contexto, a alta do IOF parece apenas um remendo para superar a crise do momento, enquanto não sem as reformas estruturais.
Sem um planejamento claro e sem recursos, as lideranças do país parecem focadas em apagar o incêndio da hora. Precisamos deixar de ser o país que administra urgência e emergência e temos elementos de sobra para isso.
Temos dados, informações e diagnósticos que nos permitem traçar um plano de voo para as próximas décadas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem defendido isso há tempos: a construção de uma agenda de longo prazo baseada no diálogo.
Sabemos que é possível implementar um plano consistente de ações para incentivar a produtividade, a inovação e a inserção da indústria brasileira nas cadeias globais de valor. Temos ferramentas para isso, resta ter a capacidade de mobilização para trabalharmos nesse sentido.
Nenhuma nação prospera com base no improviso ou acaso. Estados Unidos, Japão, Alemanha, China, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Canadá são alguns exemplos de países que se desenvolveram ao longo da história com base em planejamento estratégico. No Brasil, o Espírito Santo pode muito bem servir de referência para todo o país.
Como se sabe, o Estado superou uma crise financeira, administrativa e ética vivida nos anos 90, para se tornar referência nacional em gestão fiscal, com avanços importantes em segurança, saúde, educação e atração de investimentos. O caminho não foi fácil, mas seguimos avançando, com diálogo e trabalho conjunto entre o setor público e o setor produtivo.
Na semana passada foi lançado o Plano ES 500 Anos, um planejamento de longo prazo construído de forma colaborativa para impulsionar o nosso desenvolvimento, com horizonte no ano de 2035, quando completamos 500 anos de fundação. A iniciativa é uma parceria do governo do Estado com o ES em Ação, movimento empresarial que participou de forma decisiva da virada de chave no Estado.
O plano define cinco missões prioritárias, que preveem: economia diversificada baseada em inovação e sustentabilidade; transformar o Espírito Santo em centro de excelência em diversas áreas do conhecimento; acesso integral da população a serviços de saúde, educação e assistência social; adoção de práticas sustentáveis em todas as áreas; e modernizar a gestão pública, utilizando tecnologia e soluções inovadoras para melhorar a eficiência.
É o terceiro planejamento de longo prazo do Estado, após o ES 2025 e o ES 2030. O secretário estadual de Planejamento, Álvaro Duboc, destaca a importância de o plano contar com uma legislação específica, a Lei 12.375/2025, instituindo uma governança pluri-institucional.
A governança inclui setor público e privado e academia, com participação de instituições como Ufes, Ifes, ES em Ações, Federações e demais poderes como Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça e Ministério Público. Essa construção fortalece o ES 2035 como um planejamento de Estado, não de governo.
O Espírito Santo tem tudo para continuar sendo o Brasil que dá certo. Falta o Brasil copiar o Espírito Santo.