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Saúde

Vacina em spray e novas pesquisas para prevenir a infecção urinária

No 6° Congresso Europeu de Urologia em Paris, pesquisadores apresentaram resultados de uma vacina oral, a MV140, além de novos tratamentos

Publicado em 04 de Julho de 2024 às 02:30

Públicado em 

04 jul 2024 às 02:30
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Metade das mulheres irá apresentar algum episódio de infecção urinária no decorrer da vida. Quase um quinto destas têm infecções recorrentes, quando ocorrem pelo menos duas em seis meses ou três em um ano.
As cistites, infecções do trato urinário inferior, com dor e urgência para urinar, podem se tornar um sofrimento na vida das mulheres, especialmente quando envelhecem. Pior, à medida que usam antibióticos, a resistência bacteriana vai reduzindo as opções disponíveis.
As mulheres, após a menopausa, podem ter a bexiga colonizada por bactérias sem que apresentem sintomas de infecção. O cheiro ruim da urina pode ser um incômodo muito importante, mas não pode servir de guia para uso de antibióticos sob risco de resistência ou mesmo desenvolvimento de infecções sintomáticas e graves. Também sempre existe o risco de a infecção atingir os rins, muitas vezes exigindo hospitalização e trazendo riscos à vida da mulher.
Este ano, no 6º Congresso Europeu de Urologia em Paris, pesquisadores apresentaram resultados de uma vacina oral, a MV140, desenvolvida por uma empresa de Madri, chamada Inmunotek. Já existiam vacinas orais para prevenção de infecção urinária, mas sem resultados satisfatórios. A experiência até então não tem sido animadora, razão até da cautela de alguns especialistas. Esta nova vacina contém 4 espécies inativadas de bactérias que causam comumente infecções urinárias (Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter faecalis e Proteus vulgaris). Com um sabor de abacaxi, é usada como um spray sublingual diário por três meses. Os pesquisadores acompanharam 89 pessoas – a maioria mulheres – vacinadas em 2014 e observaram que metade delas não desenvolveu infecção por um período de 9 anos.
Os mecanismos de ação da vacina ainda estão em estudo, mas acredita-se que induza à produção de anticorpos e, também, à imunidade celular. Cientistas entendem que a administração sublingual facilita o desenvolvimento de imunidade de mucosa. Os pesquisadores planejam testar a vacina em um número maior e mais variado de pessoas, incluindo, por exemplo, pacientes neurológicos com lesões da medula espinhal que facilitem infecções urinárias.
No mesmo Congresso Europeu, outras pesquisas foram apresentadas com o mesmo objetivo de ampliar o arsenal de prevenção e tratamento das infecções urinárias. Novos trabalhos usando um medicamento não antibiótico chamado de metenamina foi útil na prevenção de infecções recorrentes. Pesquisadores ingleses do James Cook University Hospital, em Middlesbrough, apresentaram resultados de um trabalho no qual usaram um antigo antibiótico, a gentamicina, em aplicações direto na bexiga, reduzindo a resistência a antibióticos orais. Enfim, são novas pesquisas para enfrentar um tormento na vida de muitas mulheres.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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