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Pandemia

No Brasil, a principal falha vacinal é a falta de vacinas

É óbvio que as vacinas estão funcionando, pois estamos vendo queda significativa de hospitalizações e mortes nos grupos vacinados. Mas toda vacina tem falhas e precisamos estudá-las

Publicado em 03 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

03 jun 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Vacinação drive-thru contra a covid-19 no Parque da Cidade, em Brasília
Vacinação: nos EUA, foram relatados 10.262 casos (0,01%) de falha vacinal, muitos assintomáticos Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Seguimos com riscos de novas ondas de Covid-19 frente ao lento andar da imunização entre nós. Já circulam relatos de pessoas vacinadas que adoeceram, ou mesmo morreram, e aí todos se assustam. O que isso significa?
Ao final de maio, o CDC (Centro de Controle de Doenças) publicou uma avaliação dos casos de falha vacinal lá nos EUA. Neste país, em 30 abril, cerca de 101 milhões de pessoas haviam recebido as duas doses, a imensa maioria de vacinas de RNA mensageiro, Pfizer ou Moderna.
Lá, no mesmo período, foram relatados 10.262 casos (0,01%) de falha vacinal, muitos assintomáticos. Do total, 995 pacientes foram hospitalizados e 132 mortes foram causadas por Covid-19. A mediana de idade das pessoas que morreram mesmo vacinadas foi de 82 anos. Em princípio, tudo indica que as novas variantes não foram determinantes para a falha vacinal, mas sim a imunossupressão própria da idade.
Quais lições podemos tirar dessas informações? Em primeiro lugar a proteção das vacinas de RNA é brutal, afinal, pouco mais de 100 óbitos em 100 milhões de vacinados é dramaticamente menor do que na população não vacinada. Segundo, nenhuma vacina é perfeita, e as pessoas mais idosas, em especial acima de 80, precisam manter cuidados restritivos de contato, pelo menos até reduzir de modo significativo a taxa de transmissão no meio em que vivem.
Qual risco que ainda permanece nos idosos vacinados entre nós com a Coronavac ou mesmo com a AstraZeneca? Precisarão de mais uma dose? Outra vacina? Não sabemos ainda. É óbvio que as vacinas estão funcionando, pois estamos vendo queda significativa de hospitalizações e mortes nos grupos vacinados. Mas toda vacina tem falhas e precisamos estudá-las.
A vigilância genômica tem que ser ágil. É necessário aumentar o portfólio de vacinas e discutir como viver com precauções possíveis, já que a taxa de transmissão segue alta.
Precisávamos de medidas ágeis de suporte aos setores de entretenimento e turismo, que estão quebrando em série, e socorro aos informais. Temos ainda que falar de máscaras e distanciamento a uma população exausta e sem disciplina com a longa duração da pandemia. E, fundamentalmente, há que se vacinar mais e mais rápido. Hoje a principal falha vacinal é a falta de vacinas!

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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