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Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço quer refletir sobre saúde e qualidade de vida na pandemia.

Do surgimento da AIDS à Covid-19: o que a ciência mostrou em 40 anos

Revendo a linha do tempo da história da AIDS, é impossível não fazer comparações com os avanços na agilidade da ciência agora, no aparecimento da Covid

Publicado em 17/06/2021 às 02h00
Pesquisa em laboratório
É imperativo reconhecer que tudo que se conquistou até aqui foi através de pesquisa árdua e boa ciência. Crédito: wayhomestudio/Freepik

No dia 5 de junho de 1981, o CDC (EUA) relatou alguns casos de pneumonia e tumores raros (Sarcoma de Kaposi) em jovens homens previamente saudáveis. Todos os cinco casos ocorreram em homossexuais ativos, sendo que dois faleceram logo, levando o CDC a supor que algo “no seu estilo de vida” facilitava o aparecimento de uma doença nova. Somente em setembro de 1982 o CDC nomeou a nova doença como AIDS.

O aparecimento desta doença em hemofílicos, levando à morte precoce de milhares destes, mostrou que a doença também se transmite pelo sangue e era errôneo pensar em “estilo de vida”. Em março de 1983, o mesmo CDC sugeria que um agente infeccioso devia ser responsável pela nova doença, mas o vírus HIV só seria identificado em 1984.

O primeiro teste (teste ELISA) para a nova doença foi disponibilizado apenas em março de 1985, quando começou a ser feito em bancos de sangue. A primeira medicação, o AZT, foi licenciada em março de 1987. No entanto, foram necessários ainda quase dez anos para se chegar ao moderno coquetel anti-HIV, com três drogas, em 1996, criando um novo paradigma de sobrevivência de pessoas com AIDS.

Em 2018 foi licenciado o primeiro anticorpo monoclonal contra o vírus HIV. Hoje existem mais de 20 medicamentos aprovados. Nos piores anos, a doença ceifou 50.000 vidas por ano nos EUA. Artistas como Freddie Mercury, nosso Renato Russo, personalidades em todas as áreas foram levadas pela AIDS.

Após quase 37 milhões de vidas perdidas em todo o mundo, as pessoas infectadas pelo HIV têm, nos dias atuais, qualidade e expectativa de vida próximas às de pessoas sem a doença. Como não existe imunidade adquirida contra o HIV, ainda não se chegou a uma vacina que proteja uma pessoa de adquirir o vírus, tornando as pessoas infectadas dependentes de uso crônico de medicamentos. Mas é imperativo reconhecer que tudo que se conquistou até aqui foi através de pesquisa árdua e boa ciência.

Revendo a linha do tempo da história da AIDS, é impossível não fazer comparações com os avanços na agilidade da ciência agora, no surgimento da Covid. O isolamento do SARS-CoV-2 foi em menos de um mês de surto, a definição de um teste molecular (PCR) em semanas, anticorpos monoclonais e vacinas em menos de um ano. Medicamentos eficazes são mais demorados de pesquisar, como em todas as doenças virais.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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