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Pandemia

Covid-19: uso disciplinado de máscaras poderia fazer despencar contágio

Uso correto inclui não retirar a máscara para falar, ou gritar, quando mais partículas serão expelidas, nem a abaixar ao pescoço, como se fosse uma gravata

Publicado em 25 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 fev 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Mulher usando máscara
Uso correto e disciplinado de máscaras poderia também permitir a volta de empregos e vários setores da economia hoje em crise Crédito: jcomp/freepik
Apesar do cancelamento do carnaval, diversas aglomerações e festas irregulares foram flagradas em todo o país. Os teimosos podiam pelo menos estar com máscaras, adereços comuns nos carnavais, embora mais charmosas que as máscaras cirúrgicas e de pano. Por que não as usamos com disciplina apesar de tantos apelos?
O uso de máscaras em ambientes públicos é um hábito arraigado nos países orientais, um ato de civilidade, de proteger a si e aos outros. No Ocidente, um dos primeiros alertas foi feito em Massachusetts, quando o maior complexo hospitalar local, com mais de 75.000 empregados, registrou uma taxa de contaminação de profissionais de saúde crescente por Covid-19, aumentando na faixa de 1,16% ao dia até chegar a assustadores 21% de trabalhadores infectados. 
No limite do caos, essa empresa decidiu adotar a política de uso universal de máscaras pelos profissionais de saúde e viu despencar a taxa de contaminação para média de 0,49% ao dia, ao passo que a contaminação da população do Estado continuou subindo! Nas semanas seguintes, vários surtos de Covid foram estudados, comprovando transmissão por pessoas assintomáticas ou poucos dias antes de adoecer. Em consequência, todas as sociedades científicas, a grande maioria dos países e agências de saúde passaram a recomendar uso rotineiro de máscaras e distanciamento para controle da pandemia. 
Uma curiosa análise produzida por economistas da Goldman Sachs, com vários cálculos matemáticos, estimou que um aumento de uso correto de máscaras por 25% da população causaria uma redução de contágio em quase 50% do número de casos. Esta mesma análise prevê que um aumento de apenas 15% de uso correto de máscaras poderia reduzir ordens restritivas na economia com consequente impacto no PIB da ordem de 5%! E uso correto inclui não retirar a máscara para falar, ou gritar, quando mais partículas serão expelidas, nem a abaixar ao pescoço, como se fosse uma gravata.
A humanidade convive com pandemias desde sempre! A peste arrasou cidades inteiras na Idade Média, destruiu rotas comerciais, findou impérios. Para a economia funcionar é essencial conter a epidemia. Manaus teve protesto nas ruas para manter a economia funcionando a despeito de todos os sinais de alerta e deu em caos. Temos várias vacinas no horizonte, com a campanha a passos de tartaruga, pela inépcia e arrogância inicial do governo federal com a vacinação. 
Até lá, o uso correto e disciplinado de máscaras poderia fazer despencar contágio e permitir a volta de empregos e vários setores da economia hoje em crise. A Flórida e o Texas são exemplos de Estados americanos onde mais se defendeu a liberdade de não usar máscaras e onde a epidemia está mais fora de controle. Bem, eles estão vacinando rapidamente. Nós, não.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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